A rejeição dos fenômenos mentais inconscientes em Franz Brentano
o argumento da relação funcional
DOI:
https://doi.org/10.51359/2357-9986.2023.258297Palavras-chave:
consciência, inconsciente, intensidade, relação funcionalResumo
No presente artigo, abordo o terceiro entre os quatro argumentos de Brentano contra a existência de fenômenos mentais inconscientes, a saber, sua réplica à alegação de que alguns fenômenos mentais são muito fracos para serem conscientes. Após uma breve discussão sobre a noção de inconsciente em Brentano (seção 2) e uma visão geral de seus quatro argumentos contra a existência de fenômenos mentais inconscientes (seção 3), discuto o argumento baseado em uma – alegada – relação funcional entre (a) nossa consciência de nossos próprios fenômenos mentais e (b) a intensidade deles. Minha conclusão é que o argumento não é convincente, porque ele faz uma inferência questionável a partir de (A) como os nossos próprios fenômenos mentais aparecem para nós em nossas experiências conscientes para (B) o que esses fenômenos realmente são (seção 4). A verdade é que a concepção de consciência de Brentano já contém os fundamentos da perspectiva que ele quer recusar (seção 5).
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