Paradoxos Paraconsistentes
o preço da consistência
DOI:
https://doi.org/10.51359/2357-9986.2025.263787Palavras-chave:
lógicas paraconsistentes, paradoxo do mentiroso, lógicas de inconsistência formal, dialeteísmoResumo
Lógicas de Inconsistência Formal (LFIs) são usualmente consideradas filosoficamente neutras com respeito à paraconsistência, no sentido que elas fornecem uma boa base para pensar em termos de dialetheias, i.e. contradições verdadeiras, ou em termos de informações conflitantes, uma noção mais fraca do que a verdade. Neste artigo, mostrarei como essa alegação de neutralidade falha frente ao paradoxo do mentiroso: na lógica clássica, a afirmação A: “A é falsa.” deriva uma contradição. Ao adotar uma lógica paraconsistente, nós evitamos que contradições levem à trivialidade. LFIs, no entanto, adicionam um operador de consistência que recupera a lógica clássica para as afirmações às quais o operador se aplica. Neste contexto, o paradoxo do mentiroso surge mais uma vez por um tipo de vingança do mentiroso: agora, podemos construir uma afirmação B: “B é somente falsa.”, e ela leva à trivialidade novamente. Com esse resultado, concluímos que LFIs não são lógicas adequadas para lidar com paradoxos semânticos.
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