EVOLUÇÃO PALEOAMBIENTAL DOS DEPÓSITOS DE TANQUES EM FAZENDA NOVA, PERNAMBUCO – NORDESTE DO BRASIL

Danille Gomes Da Silva, Antonio Carlos de Barros Corrêa

Resumo


A análise geomorfológica dos ambientes atuais constitui uma importante ferramenta para a compreensão da seqüência evolutiva da paisagem no passado geológico recente, e um aspecto essencial para tal entendimento está na associação do registro estratigráfico aos estudos geomorfológicos como instrumento material para a interpretação da evolução da paisagem. Sendo assim, o objetivo da pesquisa foi interpretar através da análise geomorfológica, morfoestratigráfica e sedimentológica das feições deposicionais em Brejo da Madre de Deus, Pernambuco, associadas a preenchimento de tanques, como os sistemas geomorfológicos têm respondido aos fluxos oscilantes de energia ao longo do Quaternário superior. As áreas tipos escolhidas para a pesquisa foram o tanque da Fazenda Logradouro no distrito de Fazenda Nova, situado no município de Brejo da Madre de Deus. Após a identificação, em campo, das relações estratigráficas na área de amostragem, foram coletadas amostras para a análise sedimentológica, micromorfológica e para datação por Luminescência Opticamente Estimulada (LOE). Os sedimentos analisados variam de pobremente a moderadamente selecionados, com forte tendência à assimetria muito positiva. A curtose reflete a ocorrência de amostras com predomínio de distribuições muito platicúrticas e a ocorrência de um pico de concentração de cascalho, sugerindo controle direto dos mantos de alteração gerados sob condições semi-áridas, que forneceram o material para a colmatação dos tanques e formação de rampas de colúvio, mediante um regime de transporte de alta energia. Os resultados de datação por LOE obtida para as amostras analisadas indicam a ocorrência de períodos pontuais durante os quais ocorreu a remobilização dos mantos de intemperismo para o eixo deposicional do tanque, mediante a operação de eventos de grande magnitude e baixa recorrência, sob diversas combinações de semi-aridez desde o penúltimo máximo glacial (PMG).

Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v2.2.p43-56



      

Revista Brasileira de Geografia Física - ISSN: 1984-2295

Creative Commons License
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License