Distribuição espaço-temporal das queimadas no bioma Cerrado (1999/2018) e sua ocorrência conforme os diferentes tipos de cobertura e uso do solo
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v14.3.p1220-1235Palavras-chave:
Queimadas, Cerrado, Cobertura e uso do solo.Resumo
Usualmente empregadas pelos povos tradicionais, as queimadas também têm sido utilizadas para o desmatamento de vegetação natural e incorporação de atividades agropecuárias. Diante desse contexto, tem-se como objetivo analisar a distribuição espaço-temporal dos focos de queimadas no bioma Cerrado no período de 1999 a 2018, verificando sua ocorrência entre os diferentes tipos de cobertura e uso do solo, no intuito de avaliar a hipótese de que a prática de queimadas esteja recorrentemente associada à desmatamentos e à implantação de atividades agropecuárias. Para tanto, foram compilados, organizados e processados em ambiente SIG, arquivos vetoriais de focos de queimadas, a partir do Banco de Dados de Queimadas (BDQ/INPE), e arquivos raster de mapeamentos de cobertura e uso do solo do Cerrado, elaborados e disponibilizados pelo Projeto MapBiomas, ambos dados referente ao bioma Cerrado e ao recorte temporal de 1999 a 2018. Em termos médios, verifica-se a ocorrência de 65.513 focos anuais de queimadas, porém, em alguns anos a quantidade de queimadas atinge o montante de 137.918 focos, como visto em 2007. Há uma concentração das queimadas no período seco, especialmente, no trimestre agosto-setembro-outubro, que responde por 72% das ocorrências anuais. A maior densidade de queimadas é percebida ao longo da fronteira agrícola na região do MATOPIBA e próxima ao Arco do Desmatamento, nos estados do Maranhão, Tocantins e de Mato Grosso, ao passo que evidencia-se a maior incidência das queimadas sobre determinadas classes de cobertura e uso do solo, sobretudo representadas por formações savânicas e campestres.
Space-temporal distribution of fires in the Cerrado biome (1999/2018) and their occurence according to different types of coverage and soil uses
A B S T R A C T
Usually employed by traditional communities, fires have also been used to deforest and incorporate agricultural activities. Given this context, the objective is to analyze the spatio-temporal distribution of the fires in the Cerrado biome, from 1999 to 2018, verifying their occurrence between the different types of cover and land use, in order to assess the hypotheses that the practice of fires is recurrently associated with deforestation and the implementation of agricultural activities. For this purpose, were compiled, organized and processed in a GIS environment, fires focus from the Burn Database of the National Institute for Space Research and mappings of cover and land use, elaborated and availabled by the MapBiomas Project, both data referring to the Cerrado biome and over the years 1999 to 2018. On average, there are 65,513 annual fires, but in some years the amount of burns reaches the amount of 137,918 – as seen in 2007. There is a concentration of fires in the dry period, mainly in the August-September-October, which accounts for 72% of annual fires. The highest density of fires occurs mainly along the agricultural frontier in the MATOPIBA region and close to the Arc of Deforestation, specifically in the states of Maranhão, Tocantins and Mato Grosso, while there is a greater incidence of fires on certain classes of coverage and land use, especially represented by savanna and grassland formation, which corroborates the hypothesis of the use of fires to convert vegetation cover into anthropic uses.
Keywords: Fires, Cerrado, Cover and land use.
Downloads
Referências
Barbosa, A.S., 2015 Um Bioma em Extinção. Xapuri Socioambiental, 4.
Bond, W.J., Keeley, J.E., 2005. Fire as a global ‘herbivore’: the ecology and evolution of flammable ecosystems. Trends Ecol. Evol., 20, 387–394.
Borges, S.L., Eloy, L., Schmidt, I.B.. Santos, I.A.dos., 2016. Manejo do fogo em veredas: novas perspectivas a partir dos sistemas agrícolas tradicionais no Jalapão. Ambiente & Sociedade, São Paulo, 19, 269-294.
Clarke, S., French, K., 2005. Germination response to heat and smoke of 22 Poaceae species from grassy woodlands. Australian Journal of Botany, 53, 445-454.
Coutinho, L.M., 2006. O conceito de bioma. Acta Bot. Bras., 20.
Coutinho, L.M., 1976. Contribuição ao conhecimento do papel ecológico das queimadas na floração de espécies do Cerrado. Tese (Livre Docência em Ecologia Vegetal). São Paulo, Universidade de São Paulo.
Fidelis, A., Rosalem, P., Zanzarini, V., Camargos, L.S., Martins, A.R., 2019. From ashes to flowers: a savanna sedge initiates flowers 24 h after fire. Ecology, 100.
Fonzar, B.C.C., 1994. A circulação atmosférica na América do Sul: os grandes sistemas planetários e subsistemas regionais que atingem o continente: localização e trajetórias. Caderno de Geociências, 11, 11-33.
Guedes, D.M., 1993. Resistência das árvores do Cerrado ao fogo: papel da casca como isolante térmico. Dissertação (Mestrado em Ecologia). Brasilia, Universidade de Brasília.
Hughes, R., 2019. Amazon fires: what's the latest in Brazil? BBC. Disponível em: <https://www.bbc.com/news/world-latin-america-49971563>. Acessado em 18 novembro de 2019.
INMET. Instituto Nacional de Meteorologia, 2018. Normais Climatológicas do Brasil 1981 – 2010. Brasília-DF.
Klink, C.A., Machado, R.B., 2005. A conservação do cerrado brasileiro. Megadiversidade, 1, 147-155.
Kottek, M. et al., 2006. World Map of the Koppen-Geiger climate classification update. Meteorologische Zeitschrift, 15, 259-263.
Medeiros, M.B., Miranda, H.S., 2005. Mortalidade pós-fogo em espécies lenhosas de campo sujo submetido a três queimadas prescritas anuais. Acta Botanica Brasilica, 19, 493-500.
MMA. Ministério do Meio Ambiente, 2010. Plano de Ação para prevenção e controle do desmatamento e das queimadas no Cerrado: 1ª fase (2010-2011). MMA, Brasília.
MMA. Ministério do Meio Ambiente, 2014. Plano de Ação para prevenção e controle do desmatamento e das queimadas no Cerrado: 2ª fase (2014-2015). MMA, Brasília.
MMA. Ministério do Meio Ambiente, Plano de Ação para prevenção e controle do desmatamento e das queimadas no Cerrado: 3ª fase (2016-2020). MMA, Brasília.
Miranda, A.C., Miranda, H.S., Dias, I.F.O., DIAS, B.F.S., 1993. Soil and air temperatures during prescribed cerated fires in Central Brazil. Journal of Tropical Ecology, 9, 313-320.
Miranda, H.S.; Bustamante, M.M.C.; Miranda, A.C., 2002. The fire factor, in: Oliveira, P. S.; Marquis, R. J. (eds.). The cerrados of Brazil. Columbia University Press, New York, NY, pp. 51-68.
Mittermeier, R.A., Gil, P.R., Hoffmann, M., Pilgrim, J., Brooks, T., Mittermeier, C.G., Lamoreux, J., Fonseca, G.A.B., 2004. Hotspots revisited: earth’s biologically richest and most endangered terrestrial ecoregions. CEMEX, México City.
Monteiro, C.A. de F., 1951. Notas para o estudo do clima do Centro-Oeste brasileiro. Revista Brasileira de Geografia, 13, 3-46.
Nascimento, D.T.F., Araújo, F.M.; Ferreira Júnior, L.G., 2010. Análise dos padrões de distribuição espacial e temporal dos focos de calor no bioma Cerrado. Revista Brasileira de Cartografia, 63, 461-475.
Nascimento, D.T.F., Novais, G.T., 2020. Clima do Cerrado: dinâmica atmosférica e características, variabilidades e tipologias climáticas. Élisée - Revista De Geografia Da UEG, 9.
Nascimento, M.A.L.S.do., 2002. O meio físico do cerrado: revisitando a produção teórica pioneira, in: Almeida, M.G.de (org.). Abordagens geográfica de Goiás: o natural e o social na contemporaneidade. IESA, Goiânia, pp. 47-89.
Nimer, E., 1989. Climatologia do Brasil. IBGE, Rio de Janeiro.
Nogueira, E.M., Fearnside, P.M., Nelson, B.W., França, M.B., 2007. Wood density in forests of Brazil’s ‘arc of deforestation’: implications for biomass and flux of carbon from land-use change in Amazonia. For Ecol Manage, 248, 119–135.
Nogueira, E.M., Nelson, B.W., Fearnside, P.M., França, M.B., Oliveira, A.C.A., 2008. Tree height in Brazil’s ‘arc of deforestation’: shorter trees in south and southwest Amazonia imply lower biomass. For Ecol Manage, 255, 2963–2972.
Projeto MapBiomas – Coleção 4.0 (1985-2018) da Série Anual de Mapas de Cobertura e Uso de Solo do Brasil. Disponível em <http://mapbiomas.org/> Acessado em 19 set. 2019.
Ribeiro, J.F., Walter, B.M.T., 2008. As Principais Fitofisionomias do Bioma Cerrado, in: Sano, S.M., Almeida, S.P., Ribeiro, J.F. (Org.). Cerrado: ecologia e flora. Embrapa Informação tecnológica, Brasília, DF, pp.151-212.
Santos, P.R., Pereira, G., Rocha, L.C., 2014. Análise da distribuição espacial dos focos de queimadas para o bioma Cerrado (2002-2012). Caderno de Geografia, v. 24, 133-142.
Serra, A.; Ratisbonna, L., 1942. As massas de ar na América do Sul. Serviço de Meteorologia, Ministério da Agricultura, Rio de Janeiro.
Silva, E.B.da. 2013. A dinâmica socioespacial e as mudanças na cobertura e uso da terra no bioma cerrado. Tese (Doutorado em Geografia). Goiânia, Universidade Federal de Goiás, Goiânia.
Vieira Filho, J.E.R., 2016. Expansão da fronteira agrícola no Brasil: desafios e perspectivas. Ipea, Rio de Janeiro.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2021 Maíra Iaê Savioli Rocha, Diego Tarley Ferreira Nascimento

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam na Revista Brasileira de Geografia Física concordam com os seguintes termos:
Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (exemplo: depositar em repositório institucional ou publicar como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão para disponibilizar seu trabalho online antes ou durante o processo editorial, em redes sociais acadêmicas, repositórios digitais ou servidores de preprints. Após a publicação na Revista Brasileira de Geografia Física, os autores se comprometem a atualizar as versões preprint ou pós-print do autor, nas plataformas onde foram originalmente disponibilizadas, informando o link para a versão final publicada e outras informações relevantes, com o reconhecimento da autoria e da publicação inicial nesta revista.
Qualquer usuário tem direito de:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
Adaptar — remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.






