Dinâmica Sazonal de Nutrientes em Estuário Amazônico

Francianne Vieira Mourão, Maria de Lourdes Souza Santos, Pedro Henrique Campos Sousa, Denise Cristina Souza Ribeiro, Ewertton Souza Gadelha

Resumo


As variações nos ecossistemas naturais exigem uma atenção da sociedade para a água, pois o risco de desabastecimento não é um problema localizado, é uma questão nacional. Avaliou-se o efeito da sazonalidade na qualidade da água no furo do Muriá, Curuçá, Pará. As coletas de água foram realizadas em 21 pontos distribuídos ao longo do Furo, nos meses de fevereiro, março, outubro e novembro de 2015, durante as marés vazante e enchente. As variáveis abióticas foram determinadas in situ com utilização de sonda. As análises de OD foram determinadas pelo método de Winkler (Strickland e Parsons, 1972), taxa de saturação de OD segundo tabela da UNESCO (1973), os nutrientes conforme descritos em Grasshof et al. (1983), o N-amoniacal segundo APHA (1995) e Clorofila a segundo Teixeira (1973). As variáveis ambientais apresentaram diferenças significativas entre os períodos analisados (p<0,05), tendendo a um padrão sazonal, exceto N-amoniacal (p>0,05) logo não teve influência sazonal. Levando em consideração as marés as concentrações de salinidade, CE e clorofila-a foram significativas durante a maré enchente. A turbidez foi mais elevada durante as marés de vazante (p<0,05). Os parâmetros fosfato e N-amoniacal não apresentaram diferença significativa entre marés (p>0,05). O efeito da sazonalidade pode restringir à variação da qualidade do ambiente, logo indica a relevância do monitoramento do ambiente, assim servir de ferramenta em planos de políticas públicas de melhoria do saneamento da população.


Palavras-chave


clorofila a; nutrientes; maré

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DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v1.1.p%25p

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