Anomalia de Chuvas no Município de Três Lagoas/MS, no Período de 1983 a 2017
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v15.2.p1076-1093Palavras-chave:
Índice de anomalia de chuvas, Intensidade, Duração, FrequênciaResumo
Em decorrência dos recentes efeitos das anomalias de chuvas no Brasil, ampliaram-se os olhares da comunidade científica sobre suas intensidades, frequências e duração. O presente trabalho tem como objetivo analisar as anomalias de chuvas no município sul-mato-grossense de Três Lagoas, utlilizando-se do índice de anomalia de chuvas -IAC, desenvolvido por Rooy (1965) no período 1983 a 2017, totalizando 420 meses. O município tem sua economia vinculada à agroindústria de celulose e à pecuária extensiva de corte, ambas com grande dependência de água. Verificou-se a predominância de meses secos, que ocorreram em 67,6% dos meses, sobretudo com IAC de seca suave, em 33,6% dos meses. Contudo, foram registrados 14 meses extremamente úmidos e apenas 3 extremamente secos. O mês mais seco foi agosto; e dezembro, o mais úmido. Abril foi o mês com meses extremamente úmidos, com 3 meses e os extremamente secos ocorreram em julho, agosto e setembro. O ano extremamente úmido foi 1997; o seco foi 1991. As concentrações de chuva acima das normais no verão e na primavera proporcionaram o predomínio, no município, de IACs anuais úmidos. Concluiu-se que a seca se concentra no período de abril a agosto e as chuvas ocorrem sobretudo no verão, o que favorece o planejamento de medidas preventivas, tanto na área urbana, quanto na rural, a fim de se evitarem incêndios florestais e urbanos, redução da produção de carne e de derivados do leite, enchentes, dificuldades de acessibilidade e perdas de solo em seu território.
Palavras-chave: Índice de anomalia de chuvas, Intensidade, Duração, Frequência.
Rain Anomaly in the City of Três Lagoas/MS, in the period from 1983 to 2017
ABSTRACT
As a result of the recent effects of rain anomalies in Brazil, the scientific community's views on its intensities, frequencies and duration have expanded. The present work aims to analyze the anomalies of rains and analyzes them in the municipality of Três Lagoas in the south of Mato Grosso, using the rain anomaly index -IAC, developed by Rooy (1965), from 1983 to 2017, totaling 420 months. The municipality's economy is linked to the cellulose agroindustry and extensive beef cattle farming, both with great dependence on water. There was a predominance of dry months, which occurred in 67.6% of the months, especially with mild dry drought, in 33.6% of the months. However, 14 extremely wet months and only 3 extremely dry months were recorded. The driest month was August; and December, the most humid. April was the month with extremely humid months, with 3 months and the extremely dry ones occurred in July, August and September. The extremely humid year was 1997; the dry season was 1991. Rain concentrations above normal in summer and spring provided the predominance, in the municipality, of annual wet IACs. Concluding that, that the drought occurs concentrated in the period of April to August and the rains mainly occur in the summer and that preventive measures must be planned, both in the urban and rural areas, to avoid forest and urban fires, reduction of the meat production and of dairy products, floods, difficulties in accessibility and soil losses, in its teritiary.
Key words: Index of rainfall anomaly, Intensity, Duration, Frequency.
Downloads
Referências
Almeida, M., 1981. Períodos de seca em Portugal Continental. Revista do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica, 27-56.
Alves, A.S., Araújo, L.E, 2015. Avaliação climática da precipitação da bacia hidrográfica do rio Camaratuba – PB. Revista Brasileira de Geografia Física 8, 1556-1568. DOI: 10.26848/rbgf.v8.5.p1556-1568
Alves, J. O.; Pereira, P. C.; Queiroz, M. G.; Silva, T. G. F.; Ferreira, J. M. S.; Araújo Júnior, G. N., 2016. Índice de anomalia de chuva para diferentes mesorregiões do estado de Pernambuco. Pensar Acadêmico, Manhuaçu, v. 14, n. 1, p. 37-47.
Altamirano, R. J. A. Climatologia dos eventos chuvosos e secos severos, extremos e muito extremos usando o índice de Precipitação Normalizada (SPI) para as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Dissertação (Mestrado em Meteorologia). São José dos Campos. INPE, 2010: 168.
Antunes, A. S. Fenômenos de precipitação pluvial intensa: análise da espacialidade e variabilidade na bacia hidrográfica do rio Piracicaba-SP. Dissertação (Mestrado em Geografia Física). USP/FFLCH. 2015.
Bonaccorso, B.; Bordi, I.; Cancielliere, A.; Rossi, A.; Sutera, A., 2003. Spatial variability of drought an analysis of the SPI in Sicily. Kluwer Academic Publishers. Water Resources Management 17, 273-296.
Chargas Neto, P.; ARAÚJO, Lincoln, E. 2017. Avaliação espaço-temporal da precipitação da microrregião do brejo paraibano. Revista Brasileira de climatologia, 21, 284-294. DOI: http://dx.doi.org/10.5380/abclima.v21i0.52904
Crespo, A. A. Estatística fácil. São Paulo, Saraiva, 19.ed., 2009.
Dias, M. A. F. S.; Silva, M. G. A. J., 2009. Para entender tempo e clima. In: Cavalcanti, I. F. A.; Ferreira, N. J.; Silva, M. G. A. J.; Dias, A. F. S. (Org.) Tempo e clima no Brasil, Oficina de Textos 15-21.
Diniz, R. R. S.; Alencar, M. L. S.; Medeiros, S. A.; Guerra, H. O. C.; Sales, J. C. R. 2020. Índice de anomalia de chuvas da Microrregião do Cariri Ocidental Paraibano. Revista Brasileira de Geografia Física, 13, 2628-2640. DOI: 10.26848/rbgf.v13.6.p2628-2640
Everitt, B. S.; Landau, S.; Leese, M. Cluster analysis. Edward Arnold and Halsted Press, 1993.
Flato, M.; Muttarak, R.; Pelser, A. 2017. Women, Weather, and Woes: The Triangular Dynamics of Female-Headed Households, Economic Vulnerability, and Climate Variability in South Africa. World Development, 90, 41–62. DOI: https://doi.org/10.1016/j.worlddev.2016.08.015
Goerl, R. F.; Kobiyama, M., 2013. Redução dos desastres naturais: desafio dos geógrafos. Ambiência 9 145-172.
Gross, J. A. Índice de anomalia de chuva (IAC) dos municípios do Rio Grande do Sul afetados pelas estiagens no período de 1991 a 2012. 2015. 99 p. Dissertação (Mestrado em Geografia e Geociências) – Universidade Federal de Santa Maria, RS.
Gross, J. A.; Cassol, R, 2015. Ocorrências de índices de anomalia de chuva negativos no estado do Rio Grande Do Sul. Revista Geográfica Acadêmica 9, 21- 33.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Diretoria de Geociências. Sistematização das Informações sobre Recursos Naturais: Mapa de Clima do Brasil. Rio de Janeiro, 2006. Escala 1:5.000.000
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2020. Coordenação de População e Indicadores Sociais. Estimativas da População Residente no Brasil e Unidades da Federação com Data de Referência em 1º de Julho de 2020. Rio de Janeiro.
INMET – Instituto Nacional de Meteorologia. Site: www.inmet.gov.br. 2017.
INMET – Instituto Nacional de Meteorologia. Normas climatológicas. Brasília, Distrito Federal, 2010.
INPE. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Divisão de Geração de Imagens. Catalogo de Imagens. São José dos Campos-SP, 2020. Disponível: <http://www.dgi.inpe.br/catalogo/>. Acesso em: 03 ago. 2021.
Lelis, L. R. M.; Júnior, F. J. A., 2016. Territorialização do Complexo Eucalipto-Celulose-Papel e Resistência Camponesa em Três Lagoas–MS. Caminhos de Geografia 17 81–102. DOI: https://doi.org/10.14393/RCG175806
Marcuzzo, F.F.N.; Oliveira, N. De L.; Pinto Filho, R. De F.; Faria, T. G., 2012. Chuvas na região Centro-Oeste e no Estado do Tocantins: análise histórica e tendência futura. Boletim de Geografia 30 19-30. DOI: 10.4025/bolgeogr.v30i1.13418
Molina, P. A.; Lima, L. C. T. M., 1999 Estudo de secas agrícolas no Nordeste Brasileiro. In: Simpósio Brasileiro De Recursos Hídricos, 13, 1999, Belo Horizonte. Água em quantidade e qualidade: o desafio do próximo milênio: anais. Belo Horizonte: ABHR, 1 CD-ROM.
Nery, J. T.; Siqueira, B., 2020. Índice de anomalia de chuva aplicado as estudo das precipitações no estado do Paraná. Revista Brasileira de Climatologia 27, 1 – 17. DOI: http://dx.doi.org/10.5380/abclima.v27i0.65691
Oladipo, E. O. 1985. A comparative performance analysis of three meteorological drought indices. Journal of Climatology 5 655–664.
OMM - Organização Meteorológica Mundial., 1989. Calculation of monthly and annual 30-year standard normals. Geneva. WMO. Technical document, n. 341; WCDP, n.10.
Pearson, K., 1901. On Lines and Planes of Closest Fit to Systems of Points in Space. Philosophical Magazine, 2, 559–572.
Qian, W., Lin, X., 2005. Regional trends in recent precipitation indices in China. Meteorology and Atmospheric Physics 90 193-207. DOI: https://doi.org/10.1007/s00703-004-0101-z
Repelli, C. A.; Ferreira, N. S.; Alves, J. M. B.; Nobre, C. A., 1998. Índice de anomalia de precipitação para o Estado do Ceará. In: X Congresso Brasileiro de Meteorologia e VIII Congresso da FLlSMET.
Ribeiro, E. P.; Maciel, A. S. Q. A., 2018. Ánalise do índice de anomalia de chuva na microrregião de Vitória de Santo Antão – Pernambuco. Revista GeoNordeste 2, 89-106.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2022 Víncler Fernandes Ribeiro de Oliveira, Danilo Pinho Almeida, André Luiz Pinto, Ana Carolina Fontanetti Pinto

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam na Revista Brasileira de Geografia Física concordam com os seguintes termos:
Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (exemplo: depositar em repositório institucional ou publicar como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão para disponibilizar seu trabalho online antes ou durante o processo editorial, em redes sociais acadêmicas, repositórios digitais ou servidores de preprints. Após a publicação na Revista Brasileira de Geografia Física, os autores se comprometem a atualizar as versões preprint ou pós-print do autor, nas plataformas onde foram originalmente disponibilizadas, informando o link para a versão final publicada e outras informações relevantes, com o reconhecimento da autoria e da publicação inicial nesta revista.
Qualquer usuário tem direito de:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
Adaptar — remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.






