O Estado frente às Desigualdades Socioespaciais

da invalidação aos mecanismos de proteção das comunidades pobres do Recife

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26848/rbgf.v17.4.p3052-3068

Palavras-chave:

Desigualdade socioespacial, Política urbana, Comunidades de Interesse Social, Produção Imobiliária, Metrópole do Recife

Resumo

Este artigo analisa como a questão das desigualdades socioespaciais vem sendo tratada por parte do Estado, elegendo como espaço analítico a cidade do Recife, núcleo de uma metrópole apontada como uma das mais desiguais do país. Parte do entendimento de que essas desigualdades se estruturam em três esferas de relações sociais – Estado, mercado e sociedade, adotando como foco as políticas públicas de intervenção e de regulação urbana, na sua relação com o setor imobiliário privado e com as comunidades residentes nos espaços de pobreza. Destaca que, no Recife, a desigualdade socioespacial se expressa pela proximidade e o contraste entre a produção imobiliária relacionada à atuação do setor privado e os numerosos assentamentos precários no território da cidade. Quanto aos métodos utilizados, em complemento à revisão bibliográfica sobre o papel central do Estado para o enfrentamento dessas desigualdades, procedeu-se à análise empírica pautada em referências teóricas, históricas e documentais, com foco na legislação urbanística incidente no Recife ao longo do tempo. Também se produziram mapas, retratando a dimensão espacial da dinâmica investigada. Os resultados destacam a identificação de três momentos emblemáticos, nos quais se demonstra que a postura estatal frente às desigualdades socioespaciais na cidade do Recife guarda proximidade com a produção imobiliária formal e informal. Conclui-se que os avanços mais significativos no enfrentamento das desigualdades socioespaciais nessa cidade foram obtidos quando as comunidades mais pobres apresentaram maior grau de organização e de articulação para incidir na gestão urbana.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Janaina Aparecida Gomes de Lima, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) / Professora Substituta

Doutoranda em Desenvolvimento Urbano (PPGDU-UFPE), Mestre em Desenvolvimento Urbano (PPGDU-UFPE), Professora Substituta do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco, Av. Acadêmico Hélio Ramos, s/n, Cidade Universitária, CEP 50.740-540, Recife, Pernambuco. (81) 2126-8303. janainalimaarq@gmail.com; janaina.glima@ufpe.br

Maria Angela de Almeida Souza, Universidade Federal de Pernambuco / Professora Titular Aposentada

Doutora em História, Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano (PPGDU), Professora Titular Aposentada do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco, Av. Acadêmico Hélio Ramos, s/n, Cidade Universitária, CEP 50.740-540, Recife, Pernambuco. (81) 2126-8303. souza.mariaangela@gmail.com

Danielle de Melo Rocha, Universidade Federal de Pernambuco / Docente Permanente

Doutora em Geografia e Ordenamento Territorial, Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano (PPGDU) e do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco, Av. Acadêmico Hélio Ramos, s/n, Cidade Universitária, CEP 50.740-540, Recife, Pernambuco. (81) 2126-8303. danielle.melorocha@ufpe.br

Referências

Bitoun, J. 2015. Pobreza urbana, produção e estruturação da cidade e da metrópole no novo desenvolvimentismo. In A. C. Fernandes; N. L. Gonçalves; V. Pontual (Orgs.), Desenvolvimento, planejamento e governança: o debate contemporâneo. 1ª ed., Rio de Janeiro: Letra Capital, ANPUR, p. 103-116.

Brasil, 1850. Lei Imperial nº 601, de 18 de setembro de 1850. Dispõe sobre as terras devolutas do Império. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l0601-1850.htm#:~:text=LEI%20No%20601%2C%20DE,sem%20preenchimento%20das%20condi%C3%A7%C3%B5es%20legais. Acesso: 21 abr. 2023.

Brasil, 2001. Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. Brasília, DF. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/leis_2001/l10257.htm. Acesso: 28 abr. 2023.

Falcão Neto, J. A., & Souza, M. A. A., 1985. Mocambos do Recife: O Direito de Morar. Ciência Hoje - Especial Nordeste - Revista da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), 3(18), p. 74-80.

Feldman, S., 2004. Debate: a pesquisa sobre segregação: conceitos, métodos e medições. Espaço & Debates, 24(45), p. 87-109.

FIDEM. Fundação do Desenvolvimento Metropolitano, 1978. Cadastro dos assentamentos de baixa renda da Região Metropolitana do Recife. Recife.

Hogan, D. J.; Marandola Jr. E., 2006. Para uma conceituação interdisciplinar da vulnerabilidade. In J. M. P. Cunha (Org.), Novas Metrópoles Paulistas: população, vulnerabilidade e segregação. 1ª ed. Campinas: Núcleo de Estudos de População-Nepo/Unicamp, p. 23-50.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2023. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc). Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/9171-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios-continua-mensal.html?=&t=destaques. Acesso: 23 maio 2022.

Lima, J. A. G.,; Souza, M. A. A., 2022. O protagonismo do setor imobiliário financeirizado no planejamento urbano. In M. A. A. Souza, F. R. Diniz, & D. M. Rocha (Eds.), Reforma Urbana e Direito à Cidade: Recife. 1ª ed., Rio de Janeiro: Letra Capital, p. 141-156.

Marcuse, P., 2004. Enclaves, sim; guetos não: a segregação e o Estado. Espaço & Debates, 24(45), p. 24-33.

Marques, E., 2005. Elementos conceituais da segregação, da pobreza urbana e da ação do Estado. In E. Marques, & H. Torres (Eds.), São Paulo: segregação, pobreza e desigualdades sociais. São Paulo: Editora Senac São Paulo, p. 19-56.

Menezes, J. L. M. Atlas Histórico e Cartográfico do Recife. Arqueologia. Recife, IAHGE,2016-2017. Recuperado em 13 de dezembro de 2023, https://www.academia.edu/104433574/Atlas_Hist%C3%B3rico_e_Cartogr%C3%A1fico_do_Recife_Arqueologia

Observatório Pernambuco, 2023. Sistema de Informações Geográficas das Áreas Pobres da Região Metropolitana do Recife - SIGAP-RMR. Disponível no laboratório di Observatório PE/Núcleo Recife do Observatório das Metrópoles. UFPE/CAC.

Prefeitura do Recife, 1983. Lei nº 14.511, de 17 de janeiro de 1983. Define diretrizes para o uso e ocupação do solo, e dá outras providências. Disponível em: https://leismunicipais.com.br/a/pe/r/recife/lei-ordinaria/1983/1452/14511/lei-ordinaria-n-14511-1983-define-diretrizes-para-o-uso-e-ocupacao-do-solo-e-da-outras-providencias. Acesso: 21 abr. 2023.

Prefeitura do Recife, 1987. Lei municipal nº 14.947, 30 de março de 1987. Cria o Plano de Regularização das Zonas Especiais de Interesse Social – Prezeis. Disponível em: https://leismunicipais.com.br/a/pe/r/recife/lei-ordinaria/1987/1495/14947/lei-ordinaria-n-14947-1987-cria-o-plano-de-regularizacao-das-zonas-especiais-de-interesse-social-prezeis. Acesso: 21 abr. 2023.

Prefeitura do Recife, 1988. Decreto n º 14.539, de 14 de dezembro de 1988. Institui o Fórum Permanente do PREZEIS e dá outras providências. Disponível em: http://www.legiscidade.recife.pe.gov.br/decreto/14539/. Acesso em 21 abr. 2023.

Prefeitura do Recife, 1996. Lei n º 16.176, de 09 de abril de 1996. Estabelece a Lei de Uso e Ocupação do Solo da Cidade do Recife. Disponível em: https://leismunicipais.com.br/a/pe/r/recife/lei-ordinaria/1996/1618/16176/lei-ordinaria-n-16176-1996-estabelece-a-lei-de-uso-e-ocupacao-do-solo-da-cidade-do-recife. Acesso em 21 abr. 2023.

Prefeitura do Recife, 2016. Atlas das Infraestruturas Públicas em Comunidades de Interesse Social do Recife. Recife: PCR.

Prefeitura do Recife, 2020. Projeto de Lei do Executivo nº 24/2020, 16 de dezembro de 2020. Acrescenta o art. 15 A, da Lei Municipal nº 16.719 de 30 de novembro de 2001. Disponível em: https://publico.recife.pe.leg.br/pysc/download_materia_pysc?cod_materia=MTAyNjU1&texto_original=1. Acesso: 21 abr. 2023.

Prefeitura do Recife, 2021. Lei Complementar nº 2, de 23 de abril de 2021. Institui o Plano Diretor do Município do Recife, revogando a Lei Municipal nº 17.511, de 29 de dezembro de 2008. Disponível em: https://leismunicipais.com.br/plano-diretor-recife-pe. Acesso: 21 abr. 2023.

Préteceille, E., 2004. A construção social da segregação urbana: convergências e divergências. Espaço & Debates, 24(45), p. 11-23.

Ribeiro, L. C. Q., 2000. Cidade desigual ou cidade partida? Tendências da Metrópole do Rio de Janeiro. In L. C. Q. Ribeiro (Ed.), O futuro das metrópoles: desigualdade e governabilidade. Rio de Janeiro: Revan/Fase, p. 63-98.

Ribeiro, L. C. Q.; Ribeiro, M. G. (Eds.), 2018. Metrópoles Brasileiras: Síntese da transformação da ordem urbana 1980 a 2010 (1ª ed.). Rio de Janeiro: Letra Capital/Observatório das Metrópoles.

Rocha, D. M.; Lima, B. A. F., 2022. Quais impactos do Novo Plano Diretor do Recife? In M. A. A. Souza, F. R. Diniz, & D. M. Rocha (Eds.), Reforma Urbana e Direito à Cidade: Recife. 1ª ed., Rio de Janeiro: Letra Capital, p.175-194.

Salata, A. R..; Ribeiro, M. G., 2024. Boletim Desigualdade nas Metrópoles. Porto Alegre/RS, n.15. Disponível em: https://www.observatoriodasmetropoles.net.br/

Santos, M., 1985. Espaço e método. São Paulo: Nobel.

Souza, M. A. A., 2002. O Recife das “Terras de Marinha”. Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, (59), p. 127-145.

Souza, M. A. A., 2021. Lutas (e conquistas) em torno da moradia nos espaços de pobreza do Recife. In R. M. C. Lima; D. M. Rocha; Souza,

M. A. A. (Eds.), Moradia popular no Recife: trajetórias, lutas e conquistas. Recife, Cepe Editora.

Souza, M. A. A; Diniz, F. R.; Rocha, D. M., 2022. Introdução. In M. A. A. Souza, F. R. Diniz, & D. M. Rocha (Eds.), Reforma urbana e direito à cidade: Recife, 1ª ed.. Rio de Janeiro: Letra Capital, p. 1-17.

Souza, M. L., 2008. Fobópole: o medo generalizado e a militarização da questão urbana. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.

Souza, M. L., 2013. Semântica urbana e segregação: disputa simbólica e embates políticos na cidade “empresarialista”. In P. A. Vasconcelos, R. Corrêa, & S. M. Pintaudi (Eds.), A cidade contemporânea: segregação espacial. São Paulo: Contexto, p. 127-146.

Sposito, M. E. B., 2013. Segregação socioespacial e centralidade urbana. In P. A. Vasconcelos, R. Corrêa, & S. M. Pintaudi (Eds.), A cidade contemporânea: segregação espacial. São Paulo: Contexto, p. 61-93.

Vasconcelos, P. A., 2004. A aplicação do conceito de segregação residencial ao contexto brasileiro na longa duração. Cidades, 01(02), p. 259-274. https://doi.org/10.36661/2448-1092.2004v1n2.12542

Vasconcelos, P. A., 2013. Contribuição para o debate sobre processos e formas socioespaciais nas cidades. In P. A. Vasconcelos, R. Corrêa, & S. M. Pintaudi (Eds.), A cidade contemporânea: segregação espacial. São Paulo: Contexto, p. 17-38.

Downloads

Publicado

2024-07-23

Como Citar

Gomes de Lima, J. A., de Almeida Souza, M. A., & de Melo Rocha, D. (2024). O Estado frente às Desigualdades Socioespaciais: da invalidação aos mecanismos de proteção das comunidades pobres do Recife. Revista Brasileira De Geografia Física, 17(4), 3067–3083. https://doi.org/10.26848/rbgf.v17.4.p3052-3068

Edição

Seção

Ciências Sociais e Ambiente

Dados de financiamento

Artigos Semelhantes

<< < 73 74 75 76 77 78 79 80 81 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.