Mitigar ou nutrir o desastre? Entre o controle e a convivência com as águas no Vale do Itajaí
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v18.3.p2006-2024Palavras-chave:
Desastres “naturais”. Paradigmas. Urbanização. Vale do Itajaí.Resumo
Os desastres decorrentes de inundações urbanas são um problema contemporâneo que têm em sua gênese os processos históricos e geográficos que originam as cidades. Desde que os desastres passaram a ser objeto científico, diversas visões de como lidar com os desastres decorrentes da interface entre dinâmicas da natureza e da sociedade foram sistematizadas, estabelecendo padrões ou paradigmas dominantes: o tecnocêntrico, o comportamental, da vulnerabilidade, do risco, da complexidade e, mais recentemente, da resiliência. Este artigo busca alimentar o debate sobre os conceitos formadores do campo científico estudado e apresenta resultados que revelam a natureza predominante das diretrizes de enfrentamento aos desastres. O desenho de pesquisa e o método adotados abrangem um estudo exploratório que aborda a revisão de literatura sobre conceitos vinculados aos paradigmas basilares na formação do campo científico dos desastres e sua espacialização, a partir de um caso empírico e um recorte territorial delimitado, o Vale do Itajaí, em Santa Catarina. O recorte teórico se pauta por temas como a ecologia política e os estudos urbanos e sociais no contexto internacional e latino americano. No caso analisado, o ordenamento territorial se vale de narrativas tecnocráticas que indicam medidas estruturais como determinantes para mitigar os riscos de desastres. A discussão acerca dessa postura e seus rebatimentos impele a reflexão e o questionamento de como a urbanização capitalista, a partir das iniciativas do Estado, pode criar infraestruturas que contemplem duas faces da mesma moeda, mitigando e propiciando a ocorrência de desastres por inundações.
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