Espaços de memória e esquecimento em um antigo aeroporto da cidade do Recife

Rafael Rodrigues

Resumo


Este ensaio procura problematizar as diferentes formas de significação atribuídas aos espaços patrimonializados, tomando como base as diferentes representações e memórias produzidas por diferentes agentes do poder público e da sociedade civil quando da aplicação de políticas patrimoniais. Utilizo como material analítico os diferentes sentidos atribuídos ao espaço de um antigo aeroporto para zeppelins, construído em 1930 na cidade do Recife. Atualmente o local tem sido alvo de uma série de intervenções que pretendem fazer dele um parque urbano-turístico em meio a uma área de periferia da cidade. Conclui-se observando que a produção e consolidação de uma memória como legítima termina por colocar em um lugar de esquecimento uma série de outras memórias, as quais poderiam ser evocadas para promover maior ressonância das políticas patrimoniais frente a outros agentes sociais.

Palavras-chave: memória, esquecimento, patrimônio, zeppelins, Recife.

 


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