O CORPO ANIMAL COMO SÍMBOLO DO MAL: O VEGETARIANISMO NÃO-ANIMALITÁRIO NO ALVORECER DA IMPRENSA MODERNA DIAMANTINENSE (VIRADA DOS SÉCULOS XIX/XX).

Gustavo Nassar Lopes

Resumo


A entrada de Diamantina na modernidade foi ensaiada pela imprensa, desejosa de banir tradições rurais presentes na urbe. Busca-se disciplinar a relação entre seres humanos com outros animais, no sentido de proscrever a coabitação entre tais, entendida como sintoma de atraso e barbárie. Todavia, num aparente paradoxo, essa vida animal é concomitantemente representada positivamente. Na imprensa diamantinense desponta a figura da crueldade contra animais não-humanos como condenável, também sintoma de atraso e barbárie. Partindo da ideia de que seres humanos (mediante a prominência da imprensa) constroem suas relações cotidianas amarrados às teias de significados que eles mesmos teceram, analiso o substrato comum a essas representações, aproximando-se aqui das abordagens da Nova História Cultural. Especificamente, interessa saber como elas presentificavam uma grade de valores negativos do corpo animal, por sua vez, responsável pelo esvaziamento do vegetarianismo como prática animalitária, interpondo-o como item da ascese cristã contra os ‘prazeres da carne’. 


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