Interdições alimentares, sacralidade animal e esfera pública contracultural: Uma etnografia da eticidade e dos regimes de moralidade nas práticas alimentares dos Okupas
Resumo
O presente artigo pretende desenvolver uma abordagem antropológica sobre as práticas alimentares de grupos Okupas no Brasil. Para isso, farei uso de dados etnográficos coletados em pesquisas realizadas por mim com quatro experiências Okupas entre 2005 e 2012, nas cidades de Natal-RN, Porto Alegre-RS, Rio de Janeiro-RJ e Fortaleza-CE. Retomarei os dados etnográficos a fim de, no presente, analisar o conteúdo simbólico dos regimes de práticas alimentares, informada teoricamente pela literatura da Antropologia da Moral e da Alimentação. O artigo se concentra na relação entre comida e engajamento político, problematização ética da relação entre seres humanos e animais, enfatizando as diferentes dimensões que emergem durante a pesquisa (política, estética, moral e ritual). Investigarei o pano de fundo moral da “dietética” presente nas práticas alimentares Okupas e problematizarei em que medida a relação (prática e simbólica) com os alimentos pode informar a respeito de um modo de ser, pensar e agir “humano” diferenciado do que os coletivos Okupas entendem como agente da “cultura dominante” ou, noutros termos, a produção social de uma “subjetividade contracultural”. Desse modo, o artigo irá se deter na análise dos sentidos de justiça e do pano de fundo moral das práticas de regime alimentar entre esses interlocutores.Referências
BEARDSWORTH, A & KEIL, T. 1997. Sociology of Menu: An Invitation to the Study of Food and Society. London and New York: Routledge.
BOURDIEU, Pierre. 1982. A Economia das Trocas Simbólicas. São Paulo Editora.
______. 2010. A dominação masculina. 7ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.
BOLTANSKI & CHIAPELLO, Luc e Ève. 2009. O novo espírito do capitalismo. SP: Martins Fontes.
DOUGLAS, Mary. 1976. Pureza e Perigo. São Paulo, Edit. Perspectiva.
______. 1996. Estilos de Pensar: ensayos críticos sobre el buen gusto. Barcelona, Ed. Gedisa.
______. 1999. Implicit Meanings. London, Routledge.
DURKHEIM, Émile. 1996. As formas elementares da vida religiosa: o sistema totêmico na Austrália. São Paulo: Martins Fontes. - (Coleção Tópicos).
EVANS-PRITCHARD, E.E. 1978. Os Nuer: descrição do modo de subsistência e das instituições políticas de um povo nilota. São Paulo, Ed. Perspectiva.
FOUCAULT, Michel. 2007. História da sexualidade: o uso dos prazeres. São Paulo, Edições Graal.
FRASER, Nancy. 1992. “Rethinking the Public Sphere: A contribution to the critique of actually existing democracy”. In C. Calhoun, (ed.): Habermas and the Public Sphere. London: MIT Press.
GARCIA, R.W. 2005. Reflexos da Globalização na Cultura Alimentar: considerações sobre as mudanças na alimentação urbana. In: Revista de NUTRIÇÃO, Campinas, vol.16. 2005.
HABERMAS, Jürgen. 1984. Mudança estrutural da esfera pública: investigações quanto a uma categoria da sociedade burguesa. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1984.
JOAS, Hans. 2012. A sacralidade da pessoa: nova genealogia dos direitos humanos. São Paulo, Editora Unesp.
LEACH, E. 1983. Edmund Leach: Antropologia. In: Matta, Roberto da (org). São Paulo: Ática.
LÉVI-STRAUSS, Claude. 2009. As estruturas elementares do parentesco. Petrópolis: Vozes.
LUDD, Ned. 2002. Urgência das ruas: Black Block, Reclaim the Streets e os Dias de Ação Global. São Paulo: Conrad Editora do Brasil.
MEDEIROS, Maria de Lourdes. 2010. “Populismo ou Medo da Maioria? Como transformar em tolice as razões da massa”. In SOUZA, Jessé: Os batalhadores brasileiros: nova classe média ou nova classe trabalhadora?. Belo Horizonte, Editora UFMG, pp.199-256.
MENASCHE, R. 2004. Risco à Mesa: alimentos transgênicos, no meu prato não. Revista CAMPOS, Curitiba.
MORAIS LIMA, Andressa Lídicy. 2012. Okupar, resistir e insistir: uma etnografia das práticas de ocupação urbana – Fortaleza/ Ceará. Dissertação. Natal, UFRN.
______. 2014. Pluriativismo Okupa. Revista NOVOS DEBATES: Fórum de Debates em Antropologia / Associação Brasileira de Antropologia. Vol.1, n.1, janeiro. Brasília: Associação Brasileira de Antropologia.
PERLATTO, Fernando. 2015. Seletividade da esfera pública e esferas públicas subalternas: disputas e possibilidades na modernização brasileira. Revista de SOCIOLOGIA E POLÍTICA, 23(53), pp. 121-145.
RIAL, Carmem. 2004. Fast Food: a nostalgia de uma estrutura perdida. Revista HORIZONTES ANTROPOLÓGICOS, Nº 4, Porto Alegre.
SAHLINS, Marshall. 1979. Cultura e Razão Prática. Rio de Janeiro, Zahar Editores.
TAYLOR, Charles. 2005. As fontes do Self: a construção da identidade moderna. São Paulo: Edições Loyola, 2° edição.
THOMPSON, E.P. 1998. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: CIA. Das Letras.
WOORTMANN, Ellen F. 2015. “Espaços de Gênero, Casa e Gestão Alimentar: contexto rural teuto-brasileiro”. In MENASCHE, Renata: Saberes e Sabores da Colônia, Porto Alegre: Editora UFRGS.
WOORTMANN, Klaas. 2008. “Quente, Frio e Reimoso: alimentos, corpo humano e pessoas”. Revista CADERNO ESPAÇO FEMININO, vol.19, Uberlândia.
BOURDIEU, Pierre. 1982. A Economia das Trocas Simbólicas. São Paulo Editora.
______. 2010. A dominação masculina. 7ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.
BOLTANSKI & CHIAPELLO, Luc e Ève. 2009. O novo espírito do capitalismo. SP: Martins Fontes.
DOUGLAS, Mary. 1976. Pureza e Perigo. São Paulo, Edit. Perspectiva.
______. 1996. Estilos de Pensar: ensayos críticos sobre el buen gusto. Barcelona, Ed. Gedisa.
______. 1999. Implicit Meanings. London, Routledge.
DURKHEIM, Émile. 1996. As formas elementares da vida religiosa: o sistema totêmico na Austrália. São Paulo: Martins Fontes. - (Coleção Tópicos).
EVANS-PRITCHARD, E.E. 1978. Os Nuer: descrição do modo de subsistência e das instituições políticas de um povo nilota. São Paulo, Ed. Perspectiva.
FOUCAULT, Michel. 2007. História da sexualidade: o uso dos prazeres. São Paulo, Edições Graal.
FRASER, Nancy. 1992. “Rethinking the Public Sphere: A contribution to the critique of actually existing democracy”. In C. Calhoun, (ed.): Habermas and the Public Sphere. London: MIT Press.
GARCIA, R.W. 2005. Reflexos da Globalização na Cultura Alimentar: considerações sobre as mudanças na alimentação urbana. In: Revista de NUTRIÇÃO, Campinas, vol.16. 2005.
HABERMAS, Jürgen. 1984. Mudança estrutural da esfera pública: investigações quanto a uma categoria da sociedade burguesa. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1984.
JOAS, Hans. 2012. A sacralidade da pessoa: nova genealogia dos direitos humanos. São Paulo, Editora Unesp.
LEACH, E. 1983. Edmund Leach: Antropologia. In: Matta, Roberto da (org). São Paulo: Ática.
LÉVI-STRAUSS, Claude. 2009. As estruturas elementares do parentesco. Petrópolis: Vozes.
LUDD, Ned. 2002. Urgência das ruas: Black Block, Reclaim the Streets e os Dias de Ação Global. São Paulo: Conrad Editora do Brasil.
MEDEIROS, Maria de Lourdes. 2010. “Populismo ou Medo da Maioria? Como transformar em tolice as razões da massa”. In SOUZA, Jessé: Os batalhadores brasileiros: nova classe média ou nova classe trabalhadora?. Belo Horizonte, Editora UFMG, pp.199-256.
MENASCHE, R. 2004. Risco à Mesa: alimentos transgênicos, no meu prato não. Revista CAMPOS, Curitiba.
MORAIS LIMA, Andressa Lídicy. 2012. Okupar, resistir e insistir: uma etnografia das práticas de ocupação urbana – Fortaleza/ Ceará. Dissertação. Natal, UFRN.
______. 2014. Pluriativismo Okupa. Revista NOVOS DEBATES: Fórum de Debates em Antropologia / Associação Brasileira de Antropologia. Vol.1, n.1, janeiro. Brasília: Associação Brasileira de Antropologia.
PERLATTO, Fernando. 2015. Seletividade da esfera pública e esferas públicas subalternas: disputas e possibilidades na modernização brasileira. Revista de SOCIOLOGIA E POLÍTICA, 23(53), pp. 121-145.
RIAL, Carmem. 2004. Fast Food: a nostalgia de uma estrutura perdida. Revista HORIZONTES ANTROPOLÓGICOS, Nº 4, Porto Alegre.
SAHLINS, Marshall. 1979. Cultura e Razão Prática. Rio de Janeiro, Zahar Editores.
TAYLOR, Charles. 2005. As fontes do Self: a construção da identidade moderna. São Paulo: Edições Loyola, 2° edição.
THOMPSON, E.P. 1998. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: CIA. Das Letras.
WOORTMANN, Ellen F. 2015. “Espaços de Gênero, Casa e Gestão Alimentar: contexto rural teuto-brasileiro”. In MENASCHE, Renata: Saberes e Sabores da Colônia, Porto Alegre: Editora UFRGS.
WOORTMANN, Klaas. 2008. “Quente, Frio e Reimoso: alimentos, corpo humano e pessoas”. Revista CADERNO ESPAÇO FEMININO, vol.19, Uberlândia.
Downloads
Publicado
24-10-2016
Edição
Seção
Dossiês
Licença
Seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento científico ao público proporciona maior democratização mundial do conhecimento, esta Revista adota a Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional, utilizada internacionalmente pelos principais periódicos e publicadores de acesso aberto. Esta licença assegura acesso livre, imediato e gratuito para qualquer usuário ou instituição, possibilitando a leitura, download, cópia, distribuição, impressão, pesquisa, desde que seja dado o devido crédito a autoria original. Não é permitido o uso comercial desta obra ou criação de obras derivadas.