O Limite de Barth: A influência da “Introdução” de Barth sobre os estudos de etnicidade e racialidade

Edwin Reesink

Resumo


A Introduction de Fredrik Barth na coletânea de textos sobre etnicidade, Ethnic groups and boundaries, publicada depois de um congresso organizado por ele e colegas escandinavos em 1967, marca um limite nos estudos deste fenômeno na antropologia, e na antropologia brasileira, em particular. Um limite que separa dois tempos. Por um lado, chamou-se atenção para o caráter social da etnicidade, o grupo étnico, e os seus limites, desfazendo a tendência da pressuposição da unicidade cultura-língua-sociedade-etnia. O subtítulo já mostra a reorientação, the social organisation of cultural difference, certamente levando a uma revisão necessária do conceito de grupo étnico. Por outro lado, raramente se encontra na literatura especializada uma discussão mais aprofundada da Introdução, mesmo que tenha havido importantes reparos. No Brasil nota-se, por exemplo, a influência de Carneiro da Cunha. Mais do que isto, nota-se na literatura, e aqui parece ser algo especialmente forte na antropologia brasileira, de uma espécie de citação ritual de Barth, com pouca discussão, para resolver a definição de grupo étnico (às vezes complementado por um aspecto destacado por Weber). Tendo esta influência neste campo, vale examinar o texto original muito mais detalhadamente.


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