Uma leitura etnográfica de O Candomblé da Bahia de Roger Bastide

Mirella de Almeida Braga

Resumo


Este ensaio propõe uma leitura etnográfica crítica da obra O Candomblé da Bahia: rito Nagô, de Roger Bastide. Para a construção da escrita etnográfica, Bastide procura potencializar a literatura produzida sobre os candomblés por meio de uma “atualização” do campo, repleta de impressões pessoais que ressignificam a interpretação dos mitos e ritos existentes. Ele opta por especificar o rito Nagô[1], mas não se detém apenas a ele, procura ir além. Percebendo o intenso processo de urbanização e modernização do Brasil, expresso em passagens de sua obra, Bastide se preocupa em situar para o leitor a complexidade das experiências de adaptação e fixação de modelos culturais advindos de certos lugares da África para as estranhas terras brasileiras. 

[1] Nagôs ou Anagôs era a designação dada aos negros escravizados e vendidos na antiga Costa dos Escravos e que falavam o iorubá. Os iorubas, iorubanos ou iorubás são um povo do sudoeste da Nigéria, no Benim e no Togo. Historicamente, habitavam o reino de Ketu, na África Ocidental. Durante o século XVIII e até 1815, foram escravizados e trazidos em massa para o Brasil durante o chamado "Ciclo da Costa da Mina", ou "Ciclo de Benin e Daomé". "Nagô", nome pelo qual se tornaram conhecidos, no Brasil, os africanos provenientes da Iorubalândia.

Maiores informações disponíveis em: http://dicionarioportugues.org/pt/nago


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Referências


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