ETNOGRAFIA E CONVIVÊNCIA

IVY ELIDA GUIMARÃES SALES

Resumo


O desenvolvimento do presente estudo partiu da observação de uma Festa Indígena que se caracteriza como uma apresentação da cultura indígena e da representação das transformações culturais de que ocorrem naquele grupo social. Partindo desse ponto,  tornou-se possível elaborar uma reflexão sobre o exercício do trabalho de campo e suas implicações, construindo um entendimento relativo a prática vivida; dificuldades, questionamentos e entendimentos. Os passos desse processo de conhecimento, inicialmente focados num evento festivo, levaram a construção de uma relação que culminou numa ação que foi o cursinho comunitário pré-vestibular. O pedido para uma contribuição com a comunidade se desdobrou na atividade de lecionar para alguns interessados em ingressar em cursos superiores, assim ocorreu a vivência no cotidiano do grupo, assumindo o papel de professora e não apenas de antropóloga-pesquisadora. Buscou-se questionar quais os limites de uma pesquisa antropológica, tendo em vista que para compreender questões locais é necessário fazer parte e para que isso ocorra o pesquisador deve se envolver no ambiente.


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Referências


O “campo não é somente a nossa experiência concreta (mesmo se esta fosse mensurável de forma tão objetiva) que se realiza entre o projeto e a escrita etnográfica. Junto a essa experiência, o “campo” (no sentido amplo do termo) se forma através dos livros que lemos sobre o tema, dos relatos de outras experiências que nos chegam por diversas vias, além dos dados que obtemos em “primeira- mão”. Projeto de pesquisa, trabalho de campo e texto etnográfico não são fases que se concatenam sempre nessa ordem e de forma linear. Na prática essas etapas são processos que se comunicam e se constituem de forma circular ou espiral. (SILVA, 2006, p. 27)

Como cientistas, devemos ser produtores de conhecimento e, nesse empreendimento, o mundo fornece nossos materiais. Nós pesquisamos como exploradores e colhemos os frutos. E nessa colheita – que é subsequentemente processada e, costumamos dizer, “analisada” – está a produção do conhecimento. Assim, o conhecimento é criado como um tipo de sobreposição sobre a parte externa do ser. (TIM INGOLD, 2012, p. 28)

Nosotros, los antropólogos, estamos aprendiendo desde y con el mundo en el que vamos mezclados. Así que la clave de la antropología es que tratamos el mundo no como un depósito de datos, del cual extraemos información a analizar para poner en nuestros libros, sino que ciertamente tratamos el mundo como el lugar donde se ha de encontrar la sabiduría, si solo supiéramos cómo buscarla.(TIM INGOLD, 2012, p. 54)

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