“Unakesa”: uma expressão musical Fulni-ô (uma revisão)

Miguel Colaço Bittencourt

Resumo


A prática musical indígena do toré foi um forte demarcador genérico de indianidade nos processos de reconhecimento da identidade étnica, desenvolvidos pelo Serviço de Proteção ao Índio (SPI), a partir dos anos de 1920. Hoje, já podemos descrever que existem diferentes expressões artísticas e religiosas indígenas, revestidas de sentidos, que atuam como símbolo de indianidade e elemento diacrítico. Diante dos estudos da performance e da patrimonialização, torna-se necessário destacar as particularidades e generalizações, em torno das expressões musicais e das identificações étnicas. Atualmente, a música tradicional indígena continua por acionar políticas da alteridade e de autenticidade nas atividades de mobilização étnica, sendo compartilhada nos espaços escolares, educação, visualidade intercultural, turismo, atividades religiosas e artístico culturais. Este manuscrito propõe apresentar a particularidade da unakesa Fulni-ô - reconhecida genericamente como cafurna - em conjunto com as memórias, histórias cantadas e políticas da tradição. Em síntese apresentamos que cantar é uma lembrança para buscar direitos.


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Referências


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Referências sonoras

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CD – Unakesa 45 anos – Abdon dos Santos, produção independente.


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