Rumos e percursos incertos de uma ciência à deriva: reflexões sobre os paradoxos em torno dos limites e potencialidades da etnografia

Luciano von der Goltz Vianna

Resumo


O presente artigo tem como objetivo desenvolver algumas reflexões sobre uma possível Antropologia produzida à deriva. Para isso parto de alguns questionamentos: existem caminhos que pesquisadores(as) percorrem em comum ao desenvolver suas pesquisas etnográficas? Existem convenções sobre como proceder no trabalho de campo? Poderíamos dizer, ainda hoje, depois da imensa quantidade de experiências de pesquisa e de trabalho de campo com 'inspiração etnográfica' (portanto, produzidas por antropólogos(as) ou não), que exista um protocolo, ou conjunto deles, a ser seguido no momento da construção da pesquisa? A partir de perguntas como essas viso desenvolver uma reflexão teórica sobre uma suposta 'natureza aleatória' dos percursos e itinerários de uma pesquisa etnográfica. Por fim, faço apontamentos para possíveis desdobramentos da proposta de discussão na direção de uma formação em antropologia que não dependa dos protocolos de pesquisa da etnografia.


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