“O quilombo são as mulheres”: cosmopolíticas dos cuidados em comunidades quilombolas de Santa Catarina

Nathália Dothling Reis

Resumo


Durante minha pesquisa de mestrado acerca das lideranças de mulheres em comunidades quilombolas em Santa Catarina, tive a oportunidade de vivenciar o cotidiano das Comunidades Remanescentes de Quilombo Toca de Santa Cruz, em Paulo Lopes e Aldeia, em Imbituba. Através do trabalho de campo, das relações estabelecidas entre a pesquisadora negra e as mulheres negras dessas comunidades, das narrativas biográficas dessas mulheres e do movimento de caminhar os caminhos que elas percorriam junto a elas, as relações étnico-raciais foram ficando evidentes. As diversas narrativas mostravam que as relações entre as mulheres negras e as brancas dessas localidades perpetuava-se ao longo da história só mudando de nome e revelavam a importância de tomar o conceito de interseccionalidade para compreender as realidades das mulheres das comunidades quilombolas, marcadas por questões de gênero, raça e classe. Essas mulheres me ensinaram que havia uma tênue e importante diferença entre o cuidado para fora e os cuidados para dentro e que as lideranças de mulheres estavam estritamente relacionadas com o cuidado, constituindo uma cosmopolítica dos cuidados. O presente trabalho pretende mostrar, através das narrativas biográficas das mulheres das duas comunidades quilombolas estudadas e de fatos etnográficos, que atentar-se para as experiências dessas mulheres possibilita o encontro com um mundo de lógicas e saberes distintos e que pretendem ser valorizados através de uma postura epistemológica feminista negra e descolonial.

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