Racismo estrutural: o universo simbólico da folclorista itapirense Odette Coppos

Ediano Dionisio Prado

Resumo


O presente artigo objetiva uma leitura sociológica do pensamento social itapirense no que tange à questão étnico-racial. Com base na apreensão da obra da folclorista, escritora, poetisa, memorialista e historiadora Odette Coppos descortina-se uma organização societária segregacionista, eivada de imagens depreciadoras de grupos étnico-raciais de ascendência africana. A escritora, em seus livros, oscila entre os nuances das teorias raciais, conformadas no século XIX, e a presunção da democracia racial freyreana, da ausência de preconceitos, postulando um segmento social passivo, primitivo, caudatário das benesses civilizatórias dispensadas pelas camadas brancas locais. A narrativa em questão, laureada na agenda cultural do município e adotada como referencial de pesquisa escolar, revela, no que expressa e no que se mobiliza para ocultar, escrúpulos de raça e veleidades de eugenia.

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