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É O QUE GUARDO DELE.

Hugo Menezes Menezes Neto

Resumo


Sinopse:

Em Belém do Pará, no dia 4 de novembro de 2014, o policial militar afastado Antônio Marco da Silva Figueiredo, conhecido por Cabo Pet, líder de um grupo de milícias, foi assassinado perto de sua casa, no bairro do Guamá, alvejado com 30 tiros. Logo após sua morte, circularam mensagens nas redes sociais, de membros de seu grupo, ordenando um urgente toque de recolher. As mensagens falavam sobre vingança à morte do Cabo e assustaram a cidade. Repartições públicas, escolas, comércio, fecharam as portas mais cedo. A violência começou na noite do dia 4 e se estendeu entre até a manhã do dia 5. Pessoas encapuzadas em motos e carros de cor preta atiravam indiscriminadamente matando 10 jovens, moradores dos bairros da periferia. Rapidamente a imprensa local enquadram as mortes como acerto de contas ou ao tráfico de drogas, transformando as vítimas em bandidos.

A repercussão da tragédia, aliada à pressão dos movimentos sociais articulados com as famílias das vítimas, provocou a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o caso, a CPI das Milícias, cujo relatório final, atesta, em nome do Estado, pela primeira vez, a existência de grupos de milícias no Pará e sua atuação contundente nos bairros mais pobres da capital. A CPI reconhece ainda que, ao contrário do que havia sido propalado pela imprensa, nenhum dos jovens assassinados tinha antecedentes criminais, tampouco envolvimento com a morte do Cabo Pet.

As famílias das vítimas selecionam, descartam, guardam e produzem objetos que são patrimônios familiares e também peças que atestam a inocência, a boa índole e o sucesso da família em formar vidas passiveis de luto. A pesquisa para o documentário se interessou pelas representações e sentidos a eles atribuídos, bem como pelas motivações, sentimentos e intuitos por trás do ato de transformá-los em objetos expositivos, dispostos em quartos e outros cômodos da casa, ou do ato de salvaguardá-los em armários e gavetas, como acervos de acesso restrito aos parentes. Por conseguinte, pelo movimento contínuo de seleção, manutenção, manuseio e ressignificações desses objetos, numa perspectiva de musealização particular que tangencia enlutamento, privacidade e intimidade.

A Chacina de Belém é um emblema do movimento deliberado de extermínio da juventude da periferia e da atuação de grupos de milícias na capital paraense. O documentário registra as narrativas de quatro das dez famílias vítimas da tragédia. A partir da pergunta “o que você guarda dele?”, atentamos para as narrativas acerca da Chacina e para os processos de musealização particular ativados pelo evento crítico, encontramos, inadvertidamente, a conexão entre os acervos familiares (patrimônios afetivos) e a realidade social, além de histórias de vida que são, ao mesmo tempo, retratos do fracasso da experiência urbana e do estado de bem-estar social. O documentário é um dos resultados do projeto de pesquisa desenvolvido pelo professor Dr. Hugo Menezes Neto (UFPE), intitulado “Patrimônios afetivos e acervos familiares: olhares antropo-museológicos sobre a relação entre morte, memória e objetos”, apoiado pela PROPESP/UFPA, em parceria com o Núcleo de Experimentação Cinematográfica (NEC) do curso de Cinema/UFPA, coordenado pela Professora Drª Iomana Rocha.

Synopsis:

En la ciudad de Belém do Pará, el 4 de noviembre, el policía militar alejado Antonio Marco da Sila, conocido como Cabo Pet, líder de un grupo de milicias, fue asesinado cerca de su casa en el barrio de Guamá, alcanzado por 30 tiros. Después de su muerte, circularon mensajes en las redes sociales, de miembros de su grupo, ordenando un urgente toque de queda. Los mensajes hablaban de venganza a la muerte del Cabo y asustaron a la ciudad. Las oficinas públicas, las escuelas, el comercio, cerraron las puertas antes. La violencia comenzó en la noche del día 4 y se extendió hasta la mañana del día 5. Personas encapuchadas en motos y coches de color negro disparaban indiscriminadamente matando a 10 jóvenes, moradores de los barrios de la periferia. Rápidamente la prensa local enmarca las muertes como acierto de cuentas o al tráfico de drogas, transformando a priori a las víctimas en bandidos.

La repercusión de la tragedia, aliada a la presión de los movimientos sociales articulados con las familias de las víctimas, provocó la instauración de una Comisión Parlamentaria de Investigación para investigar el caso, la CPI de las Milicias, cuyo informe final, atestigua, en nombre del Estado, por la primera la existencia de grupos de milicias en Pará y su actuación contundente en los barrios más pobres de la capital. La CPI reconoce que, a diferencia de lo que había sido propalado por la prensa, ninguno de los jóvenes asesinados tenía antecedentes penales, tampoco implicación con la muerte del Cabo Pet.

Las familias de las víctimas seleccionan, descarta, guardan y producen objetos que son patrimonios familiares y también piezas que atestiguan la inocencia, la buena índole y el éxito de la familia en formar vidas pasibles de duelo. La investigación para el documental se interesó por las representaciones y sentidos a ellos atribuidos, así como por las motivaciones, sentimientos e intuiciones detrás del acto de transformarlos en objetos expositivos, dispuestos en habitaciones y otras habitaciones de la casa, o del acto de salvaguardarlas, en los gabinetes y cajones, como acervos de acceso restringido a los parientes. Por consiguiente, por el movimiento continuo de selección, mantenimiento, manipulación y resignificación de estos objetos, en una perspectiva de musealización particular que tangencia enlutación, privacidad e intimidad.

La Chacina de Belém es un emblema del movimiento deliberado de exterminio de la juventud de la periferia y de la actuación de grupos de milicias en la capital paraense. El documental registra las narrativas de cuatro de las diez familias víctimas de la tragedia. A partir de la pregunta "¿qué guardas de él?", Atentamos para las narrativas acerca de la Chacina y para los procesos de musealización particular activados por el evento crítico, encontramos inadvertidamente la conexión entre los acervos familiares (patrimonios afectivos) y la realidad social , además de historias de vida que son a la vez retratos del fracaso de la experiencia urbana y del estado de bienestar social. El documental es uno de los resultados del proyecto de investigación desarrollado por el profesor Hugo Menezes Neto (UFPE), titulado "Patrimonios afectivos y acervos familiares: miradas antropo-museológicas sobre la relación entre muerte, memoria y objetos", apoyado por la PROPESP / UFPA , en asociación con el Núcleo de Experimentación Cinematográfica (NEC) del curso de Cine / UFPA, coordinado por la Profesora Drª Iomana Rocha.

Palavras-chave:

Chacina; Memória; Objetos; Violência urbana.

Palabras clave:

Chacina; Memoria; Objetos; Violencia urbana.

Ficha técnica:

Direção:Hugo Menezes, Iomana Rocha, Hugo Menezes Neto, Moyses Cavalcante, Artur Tadaiesky, Felipe Mendonça, Marcio Crux.

Produção: Iomana Rocha, Hugo Menezes e Andrey Leão

Assistente de direção: Maurício Moraes, Fillipe Rodrigues, Lays Portela, Edson Palheta, Eder Monteiro e Thamires Rafael

Fotografia: Moyses Cavalcante, Artur Tadaiesky, Felipe Mendonça, Marcio Crux, Fillipe Rodrigues, Lays Portela, Edson Palheta, Eder Monteiro e Thamires Rafael

Som: Guga S. Rocha, Felipe Mendonça, Thamires Rafael

Edição: Moyses Cavalcanti, Felipe Mendonça, Fillipe Rodrigues, Márcio Crux e Lays Portela

Pesquisa: Hugo Menezes e Andrey Leão

Credits:

Dirección:Hugo Menezes, Iomana Rocha, Hugo Menezes Neto, Moyses Cavalcante, Artur Tadaiesky, Felipe Mendonça, Marcio Crux.

Producción:Iomana Rocha, Hugo Menezes e Andrey Leão

Asistente de dirección:Maurício Moraes, Fillipe Rodrigues, Lays Portela, Edson Palheta, Eder Monteiro e Thamires Rafael

Fotografía:Moyses Cavalcante, Artur Tadaiesky, Felipe Mendonça, Marcio Crux, Fillipe Rodrigues, Lays Portela, Edson Palheta, Eder Monteiro e Thamires Rafael

Audio: Guga S. Rocha, Felipe Mendonça, Thamires Rafael

Edición: : Moyses Cavalcanti, Felipe Mendonça, Fillipe Rodrigues, Márcio Crux e Lays Portela

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