Préstito de Encontro: Nos caminhares da religiosidade popular

Autori

  • Rondinell Aquino Palha Universidade Federal do Pará

DOI:

https://doi.org/10.51359/2526-3781.2019.241332

Parole chiave:

etnografia, religiosidade, São Caetano de Odivelas

Abstract

Na Cidade de São Caetano de Odivelas, no Estado do Pará, na Amazônia brasileira, realiza-se todos os anos, durante a sexta-feira santa, o dia em que se homenageia a Paixão de Cristo, na tradição religiosa cristã, a “Procissão do Encontro”, que consiste em duas procissões: uma com a imagem de Nosso Senhor dos Passos e a outra com a imagem de Nossa Senhora das Dores. A imagem de Jesus carregando a cruz, em sofrimento, destaca o drama ritualístico realizado anualmente no período da semana santa, a narrativa mítica que aproxima humano e “deus”, fornecendo um “conjunto de representações das relações do mundo e da humanidade com os seres invisíveis” (LABHURTE-TOLRA, 2010, p.204), agora “visíveis” pelo mito, como uma “ordenação racional. Ele situa o homem em seu lugar no universo graças a um sistema de referências no interior do cosmo” (idem). O sentindo da religiosidade garante que, a cada ano, esse rito cristão, possa ser reeditado com ampla participação da comunidade, garantindo o equilíbrio necessário para o “caos” da vida, atualizando-se ciclicamente a “fundação” sagrada do mundo: “a revelação de um espaço sagrado permite que se obtenha um ‘ponto fixo’, possibilitando, portanto, a orientação na homogeneidade caótica, a ‘fundação do mundo’, o viver o real” (ELIADE, 1992, p.27). Na pequena capela de Nsa. Sra. Do Perpétuo Socorro, pessoas da comunidade oram e cantam ladainhas, antes do início do préstito. Durante o trajeto, nos deparamos com práticas diárias se misturando ao extraordinário do sagrado representado na procissão. A banda musical, composta por jovens, executa cantos religiosos, proporcionando mais ainda a participação e o envolvimento passional com o ritual religioso pela voz. A proximidade entre o humano e o sagrado fica evidente quando, a imagem de Nosso Senhor dos Passos, é protegido, da chuva, por uma capa, em virtude do fim do inverno amazônico, estação de chuvas, em ato muito significativo, uma vez que, essa atitude, “humaniza” a imagem. O ápice do ritual acontece às margens do Rio Mojuim, quando há o encontro das imagens de Nosso Senhora dos Passos e de Nossa Senhora das Dores. Neste ato, o esforço físico, o choro e a contrição ficam manifestos no semblante de cada participante da comunidade, em uma catarse que garante a perpetuação desse ritual religioso na Cidade de São Caetano de Odivelas, a cada prenúncio do verão amazônico.

Biografia autore

Rondinell Aquino Palha, Universidade Federal do Pará

Graduado em História pela Universidade Norte do Paraná - UNOPAR
Graduando em Letras pela Universidade Federal do Pará
Especialista em Gestão Escolar pela Escola Superior Agropecuária Luiz de Queiroz - Esalq/USP.

Membro do Grupo de Pesquisa KULA, ligado ao Núcleo Universitário de São Caetano de Odivelas-NUSC/UFPA

 

Pubblicato

2019-09-19