Pesquisa básica experimental em enfermagem

Autores

  • Maria Lysete de Assis Bastos Maceió/AL, Federal University of Alagoas

Resumo

As pesquisas básicas experimentais in vitro (modelo molecular ou celular) e in vivo (modelo animal) constituem o alicerce para o delineamento da pesquisa clínica (com seres humanos), o que minimiza riscos à vida do homem. Ensaios in vitro e in vivo são instrumentos fundamentais para o desenvolvimento de novos medicamentos, técnicas de diagnósticos e procedimentos que envolvem o uso de tecnologia de ponta, dentre outras aplicações para o avanço das ciências da saúde e da enfermagem, bem como, a condução desses bioensaios favorece o direcionamento das hipóteses estabelecidas na fase clínica da pesquisa.

Laboratórios de pesquisa básica experimental têm contribuído expressivamente, na formação de recursos humanos, tanto na graduação, com a iniciação científica, quanto na pós-graduação Stricto sensu. A pesquisa básica experimental na enfermagem internacional, principalmente, com modelos animais, tem sido empregada de forma, relativamente, crescente, uma vez que, este tipo de pesquisa é capaz de promover mudanças reais no cotidiano da prática. No Brasil, esta tendência tem sido observada como decrescente, da década de 60 para os dias atuais. A experimentação se apoia nas disciplinas básicas como biologia, fisiologia, genética, microbiologia, química, física, etc., o que caracteriza ter suas raízes no modelo biomédico.

Como este modelo de atenção à saúde encontra-se em decadência, agregado ao desejo de constituir a legitimidade científica dentro do contexto da enfermagem brasileira, o corpo de pesquisadores procurou buscar um caminho próprio, o que resultou no distanciamento da área médica, cultivando outros modelos do processo de desenvolvimento científico, tais como pesquisa exploratória, social, histórica e teórica com foco na psicologia e sociologia, as quais não necessitam de aporte experimental ou da fundamentação básica.

Nessa perspectiva, a pesquisa básica experimental não tem sido adotada pelos pesquisadores da enfermagem brasileira na mesma proporção em que é conduzida nos Estados Unidos da América, a qual tem sido cada vez mais usada por pesquisadores da enfermagem para investigar problemas clínicos e abordagens no modo de cuidar dos cidadãos americanos.

A participação da enfermagem brasileira na pesquisa básica experimental tem sido uma lacuna, na qual, pesquisadores que trabalham nesta área reconhecem a importância da interdisciplinaridade para a inovação tecnológica do país, por ser esta a estratégia capaz de envolver as inúmeras especificidades das diversas áreas, aqui em especial, na de produtos naturais/plantas medicinais/fitoterápicos, pois engloba desde a antropologia botânica, a botânica, a agronomia, a fitoquímica, a farmacologia/farmácia, a medicina, a enfermagem, dentre outras. No Brasil, pesquisadores enfermeiros necessitam arregaçar as mangas com determinação e destreza para ocuparem seu lugar dentro das equipes interdisciplinares e grupos de pesquisa credenciados pelo CNPq, que trabalham com pesquisas básicas experimentais.

Biografia do Autor

Maria Lysete de Assis Bastos, Maceió/AL, Federal University of Alagoas

Maria Lysete de Assis Bastos. Enfermeira, Doutora em Ciências, Professora da Graduação e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, da Escola de Enfermagem e Farmácia, da Universidade Federal de Alagoas/PPGEnf/ESENFAR/UFAL. Maceió (AL), Brasil. E-mail: lysetebastos@gmail.com

Publicado

03/09/2013

Como Citar

BASTOS, Maria Lysete de Assis. Pesquisa básica experimental em enfermagem. Revista de Enfermagem UFPE on line, Recife, v. 7, n. 3, 2013. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/11545. Acesso em: 21 jun. 2026.

Edição

Seção

Editorial

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