DIÁLOGOS FEMINISTAS COM CRIANÇAS SOBRE O PAPEL POLÍTICO DA MULHER ATRAVÉS DA PRODUÇÃO DE UM LIVRO LITERÁRIO INFANTO-JUVENIL

Priscylla Karollyne Gomes Dias, Suzana Pereira Temudo

Resumo


O objetivo deste resumo expandido é apresentar quais foram os sentidos criados pelas crianças em relação ao papel político da mulher durante uma experiência de mediação de leitura com um livro infanto juvenil produzido por nós no âmbito dos diálogos feministas. O que estamos chamando de “diálogos feministas” neste trabalho condiz com as contribuições de Gloria Analzadúa (2000; 2009) sobre a importância e a necessidade de mulheres escreverem sobre si como uma das formas de superação dos obstáculos impostos no contexto cultural e social que envolvem as suas existências, tais como: a exacerbação de uma sexualidade heteronormativa em detrimento da opção sexual não heteronormativa, e a imposição de condições da jornada de trabalho que não permite que as mulheres pobres, negras, periféricas consigam escrever sobre as suas próprias histórias. Para nós, o papel político da mulher emerge enquanto escrita de si como uma forma de mobilização dos sentidos sobre o mundo no qual habita e de experiências coletivas que compartilha através da aproximação com a leitura. A  relevância desse trabalho que aqui apresentamos condiz com uma proposta de abertura da produção literária infantojuvenil para os diálogos feministas que pautam a denúncia das desigualdades das relações de gênero. Neste sentido, entendemos que o pensamento feminista não é homogêneo, mas conformado por diferentes vivências e produções de si, contextualizado sócio-cultural-historicamente, admitido em um contexto de multiplicidade, diferenciação e articulações possíveis com as crianças. Em concordância com essa compreensão em relação ao pensamento feminista, apreendemos que o texto literário mobiliza sentidos de interlocução entre sujeitos de uma estrutura da realidade e sujeitos ficcionais constituídos pela linguagem literária (PAULINO; WALTY, 2005). Na recepção de um texto literário, os sujeitos destinatários elaboram sentidos vinculados às suas visões de mundo e às suas condições de (des)pertencimentos da realidade.

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Referências


ANZALDÚA, Gloria. Falando em Línguas: uma carta para mulheres escritoras do terceiro mundo. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 8, n. 1, p. 229-236, 2000. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/9880/9106 Acesso em 4 mar. 2019

ANZALDÚA, Gloria. Como domar uma língua selvagem. Cadernos de Letras da UFF, n. 39, 2009, p. 303-318. Disponível em www.cadernosdeletras.uff.br/joomla/images/stories/edicoes/39/traducao.pdf Acesso em 4 mar. 2019

PAULINO, G.; WALTY, I. Leitura literária – enunciação e encenação. In: MARI, H.; WALTY, I.; VERSIANI, Z. Ensaios sobre leitura. Belo Horizonte: Editora Pucminas, 2005, p. 138-154.

PETIT, M. A arte de ler – ou como resistir à adversidade. Tradução de Arthur Bueno e Camila Boldrini. São Paulo: Editora 34, 2009.


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Revista Semana  Pedagógica ISSN 2595-1572 (on line)