O TRATAMENTO DA LEITURA DE CRÔNICAS NA COLEÇÃO DE LIVROS DIDÁTICOS DE PORTUGUÊS “SINGULAR E PLURAL” APROVADA NO PNLD-2017

Eduarda Vanessa do Nascimento Franco, Clecio dos Santos Bunzen Júnior

Resumo


Este trabalho foi fundamentado na teoria de escolarização tratada por Soares (2003) e na concepção de formação do leitor crítico e reflexivo tratada por Kleiman (1998) e Rojo (2004) e teve como objetivo geral analisar o tratamento dado à leitura das crônicas na coleção “Singular & Plural” aprovada no PNLD – 2017 e como objetivos específicos identificar as ocorrências do gênero crônica nos eixos de ensino presente no livro didático, o tratamento em relação à fragmentação e á seleção dos autores, as temáticas presentes nos textos e se as questões de leitura impulsionam os alunos a se posicionarem das críticas abordadas. O critério de seleção da coleção foi o da distribuição, ou seja, analisamos uma das obras mais adotadas no Brasil. A escolha do gênero crônica está ligada ao fato de ele ser um veículo poderoso de denúncia social, portanto o trabalho com ele pode possibilitar a formação de um leitor crítico que questiona os seus valores na sociedade. Ao coletar os dados, 19 crônicas foram encontradas, 2 no caderno de língua e linguagem (destinado ao trabalho gramatical) e 8 no caderno de leitura e produção, sendo 2 utilizadas para o trabalho com o eixo leitura. Entre os cronistas, Luís Fernando Veríssimo se desta com 21,1% das crônicas no LDP, seguido de Rubem Braga (15,8%), Paulo Mendes e Rubem Alves (10,5%). É importante destacar que nenhuma mulher foi privilegiada uma vez que foi utilizado apenas um texto de cada autora. As temáticas vão desde conflitos familiares até as questões étnico-raciais e as atividades, em sua maioria, abordam pontuação, transcrição de trecho e o gênero crônica. Sendo assim, as questões político-sociais ficam em segundo plano, não instigando de forma explícita no enunciado o posicionamento crítico do aluno, deixando a critério do professor nortear sobre as problemáticas durante as respostas. Quanto à fragmentação das crônicas, observamos que a maioria dos textos foram escolarizados mantendo sua forma original, principalmente no Caderno de Leitura e Produção, que não possui fragmento. No final do trabalho, concluímos que os pontos positivos da coleção é a vasta seleção dos autores e de crônicas com temas pertinentes para a formação do cidadão, proporcionando um maior envolvimento do aluno em relação ás questões políticos-sociais. Outro ponto positivo é o fato da não fragmentação das crônicas nas atividades de leitura, viabilizando uma escolarização adequada, uma vez que o sentido completo do gênero não é perdido, evitando que o texto seja comprometido no que diz respeito ao enunciado concreto do autor(a) de uma maneira global. Já, o fato de priorizar, em sua maior parte, os autores que se destacam nesse gênero e de esse destaque ser dado a homens cis é uma fragilidade, pois pode limitar o olhar do aluno sobre os representantes. O tratamento da leitura também é uma fragilidade, uma vez que, embora as questões mostrem tentativas de reflexão, fazem isso de forma superficial, sem dar muito espaço para que o aluno se posicione e reflita sobre a crítica presente nos textos, assim apresentando um trabalho com a criticidade de forma superficial, deixando a cargo do professor ampliar as discussões. 


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Referências


BRITTO, Luiz Percival Leme. Leitura e política. In: SOARES et al. (orgs.) A escolarização da literatura infantil e juvenil. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.

BUNZEN, Clecio et al. O tratamento do diversidade nos livros didáticos de português:como fica a questão dos gêneros?In: Diversidade textual: os gêneros na sala de aula. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

BUNZEN, Clecio. O livro didático de português como gênero do discurso: implicações teóricas e metodológicas. In: I simpósio sobre livro didático de língua materna e estrangeira, 2007. Rio de Janeiro.

JURADO, Shirley; ROJO, Roxane. Português no ensino médio e formação do professor. In: BUNZEN et al. (orgs.) A leitura no ensino médio: o que dizem os documentos oficiais e o que se faz? São Paulo: Parábola editorial.


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Revista Semana  Pedagógica ISSN 2595-1572 (on line)