PRÁTICAS DE LETRAMENTO PARA ALUNOS SURDOS: TRABALHO COM O GÊNERO BILHETE

Elisangela Maria de Oliveira, Emanuelle da Silva Ferreira, Wilma Pastor de Andrade Sousa

Resumo


O subprojeto Práticas de letramento para estudantes surdos na perspectiva bilíngue, da Residência Pedagógica do Núcleo de Pedagogia, tem por objetivo desenvolver práticas de letramento que possibilitem aos estudantes surdos condições de permanência, participação e aprendizagem no âmbito escolar. As conquistas da comunidade surda nos últimos anos asseguram os direitos fundamentais, particularmente no âmbito educacional. A Lei que reconhece a Língua Brasileira de Sinais - Libras 10.436/2002 e o Decreto que a regulamente de n.º 5.626/2005 promoveram ações da comunidade surda em todo o país, na luta pela efetivação dos dispositivos propostos e pela garantia dos direitos que esses documentos apresentam (CASSIANO, 2017). Apesar dos avanços, nem sempre a legislação é executada nas instituições de ensino do nosso país, como isso, os estudantes surdos sofrem com a carência de práticas pedagógicas, sobretudo aquelas direcionadas ao processo de apropriação do Sistema de Escrita Alfabética (SEA). Geralmente os docentes enfrentam dificuldades relacionadas à falta de formação continuada para atuar com esse público específico. No que diz respeito ao processo de alfabetização da criança surda, os professores revelam que ainda existem dúvidas quanto ao material e estratégias facilitadoras a serem utilizadas por esses estudantes. Nesta perspectiva, o presente trabalho tem por objetivo relatar uma experiência vivenciada no programa de Residência Pedagógica, com foco no cotidiano escolar, no planejamento das aulas, no resultado da regência e sua contribuição na formação dos futuros educadores. A sequência didática discutida no presente trabalho intitulada “Trabalhando com o gênero Bilhete” foi realizada durante as regências que ocorreram no período de imersão nos meses de fevereiro e março do ano em curso. O ensino da língua portuguesa demanda uma atenção especial do professor diante das dificuldades que surgem perante a complexidade do mesmo em comparação a Libras, já que a língua portuguesa é uma segunda língua para a pessoa surda. Como meio de amenizar estas dificuldades, os trabalhos com gêneros textuais em sala de aula facilitam a problematização dos conteúdos pela função social que envolve as situações cotidianas em que fazemos uso dos gêneros, muitas vezes para reivindicar nossos direitos como cidadãos, como, por exemplo, o uso do gênero carta de reclamação.   Os gêneros são fenômenos históricos profundamente ligados à vida cultural e social, os quais contribuem para estabilizar as atividades comunicativas do dia-a-dia (BAKHTIN 2000, p.02). Proporcionam um processo de aprendizagem prazeroso, pois se aproximam do cotiano dos alunos. Um trabalho diversificado que leve em consideração a realidade do estudante torna a aprendizagem significativa. Esta experiência aconteceu em uma turma bilíngue para surdos da rede pública municipal da cidade do Recife-PE. Nas turmas bilíngues a Libras se constituiu como língua de instrução no processo ensino-apredizagem, ampliando o uso social da língua de sinais como primeira língua (L1) e da língua portuguesa como segunda língua (L2), para contemplar o ensino na modalidade escrita em todas as áreas de conhecimento

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Referências


BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In: Estética da Criação Verbal. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

BRASIL. Lei n.º 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 12 de abril de 2019.

______. Decreto n.º 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Decreto/D5626.htm>. Acesso em: 12 de abril de 2019.

CASSIANO, Paulo Victor. O surdo e seus direitos: os dispositivos da Lei 10.436 e do Decreto 5.626. Revista virtual de cultura surda, [S. l.], Maio 2017. – ISSN 1982-6842.

MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: Gêneros textuais & ensino. DIONISIO, Ângela Paiva e MACHADO, Anna Rachel e BEZERRA, Maria Auxiliadora organização). 4. ed. Rio de Janeiro: Editora Lucerna, 2002.

SOARES , Tamires et al. A diversidade dos gêneros textuais e sua importância para o ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa no Ensino Médio. In: I Semana de ciência, tecnologia, esporte, arte e cultura: XII Encontro de extensão - XII ENEX e XIII Encontro de iniciação à docência – XIII ENID, 2010, Paraíba. ANAIS [...]. João Pessoa: UFPB, 2010. Disponível em: http://www.prac.ufpb.br/anais/XIIENEX_XIIIENID/ENID/Pibid/completos_04.html. Acesso em: 7 abr. 2019.


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Revista Semana  Pedagógica ISSN 2595-1572 (on line)