QUEM NÃO QUER AS TRAVESTIS NAS ESCOLAS? UMA VOLTA ATÉ A DITADURA MILITAR NO BRASIL

Ana Flor Fernandes Rodrigues

Resumo


O presente artigo, em construção, tem como objetivo interpretar quais as relações dos processos de violências nos quais as travestis foram submetidas durante o período da ditadura militar—civil no Brasil, que teve início nos anos de 1964 (e durou 21 anos) bem como os resquícios dessas ações nos espaços escolares. Pensar que a identidade travesti faz, assim como todas as outras, parte de um percurso de construção significa dizer que o que sabemos sobre a mesma não é algo que surgiu do “além”, mas que foi agenciado, disciplinado, regulado e organizado em discursos que se fazem presentes em nosso cotidiano. As identidades travestis, no Brasil, são carregadas de estereótipos negativos que tentam, inclusive, criar um lugar único para as mesmas: às margens. Nenhuma história é, nem deve ser, apenas dada. Toda história se passa em contextos que fornecem-nos subsídios para analisarmos e compreendermos os fatos, mesmo quando esses fatos estão interligados a contextos de constante violências e técnicas que vão sendo sofisticadas e aperfeiçoadas com o passar do tempo, sem necessariamente uma continuidade. Logo, faz-se necessário discutirmos acerca da invenção das identidades travestis como algo ruim ou mal, diz respeito à necessidade de desconstruirmos e criarmos novas narrativas que foram potencializadas e retiraram grande parte da humanidade das travestis. Além disso, pensarmos qual o papel da Escola frente esse contexto de práticas de violência e exclusão.

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Referências


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Revista Semana  Pedagógica ISSN 2595-1572 (on line)