QUILOMBO DO SABER: NARRATIVA DE VIVÊNCIA EDUCATIVA EM COMUNIDADE NEGRA

Maria Lúcia Gomes dos Prazeres, Euclides Ferreira da Costa

Resumo


O presente artigo tem como propósito, apresentar narrativas acerca das vivências no espaço educativo ‘Quilombo do Saber’, na perspectiva de observar a trajetória de apropriação e socialização de conhecimento, de liderança negra. Buscou-se um personagem representativo e reconhecido no Movimento Social Negro, pelas ações desenvolvidas no universo das políticas raciais, objetivando conhecer e analisar o percurso que vem desenvolvendo para a apropriação e socialização de conhecimentos e da interlocução que vem estabelecendo com o conhecimento acadêmico. A coleta, análise e fundamentação das narrativas, foram inspiradas na História Oral, na qual  Meihy (2005) orienta que as experiências vividas, quando gravadas, transcritas e analisadas são consideradas documentos orais que podem favorecer estudo da memória, construção da identidade, formação de consciência comunitária. O Quilombo do Saber é visto nesse trabalho, enquanto espaço político, ideológico que aglutina e, ao mesmo tempo irradia vivências, saberes, experiências e conhecimentos educativos, de pessoas e grupos. Constitui-se, assim, enquanto espaço de preservação de valores civilizatórios africanos, onde a dança e a música são vivenciadas enquanto elementos que favorecem o aflorar da memória ancestral, resguardam histórias de resistência, possibilitam identificação, reconhecimento de identidades negras, oportunizam o convívio comunitário. Seguindo a linha de raciocínio de Inocêncio (2006), essas ações se agregam ao corpo que registra as experiências coletivas que dão sentido, compreensão e apropriação da identidade. A forma como Inocêncio (2006, compreende a corporeidade soma-se a visão de Brandão (2006), quando reconhece que o corpo todo traz informação; memórias que devemos recuperar para compreender como podemos nos inserir em ambientes diversos. É nessa perspectiva que essas narrativas estão sendo transcritas, registradas e posteriormente disseminadas, como breve contribuição para implementação de Ações Afirmativas em espaços educativos/acadêmicos, onde, de acordo com Sodré (2002), possamos vivenciar a dança e a música como centro de comunicação na construção de um cenário que permita tanto a percepção de si no outro, como a do outro nos movimentos realizados, em ‘um ato de defesa dos oprimidos’, silenciados, discriminados, missão abraçada pela educadora, Eliete Santiago e por tantas/os outras/os que vivem africanamente a educação, conforme assinala Luz (2013), sempre investido do desejo ancestral de continuidade.  


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Referências


INOCÊNCIO, Nelson Olokofá. Sujeito, Corpo e Memória, In: BRANDÃO, Ana Paula (Coord.). A Cor da Cultura - Saberes e Fazeres, v.1.: modos de ver. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 2006, p.55

LUZ, Marcos Aurélio de Oliveira. Agadá: dinâmica da civilização africano-brasileira. Salvador: EDUFBA, 2013, p.29

MEIHY, José Carlos S. B.. História Oral: como fazer, como pensar. São Paulo: Contexto, 2011, p.14.

SODRÉ, Muniz. O Terreiro e a Cidade: a formação social negro brasileira. Rio de Janeiro: Imago Ed.; Salvador, BA: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 2002, p. 07.


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Revista Semana  Pedagógica ISSN 2595-1572 (on line)