“O FETICHISMO DO CONCEITO” DE LUÍS DE GUSMÃO: NOTAS DE LEITURA

José Luciano Gois Oliveira

Resumo


Uma amiga enviou-me, faz algum tempo, uma matéria de jornal sobre o livro do professor Gusmão, da Universidade de Brasília (UNB); confessava que o que ele dizia sobre Habermas a fez “rir um pouco” e adiantava a impressão de que, pelo tom polêmico do autor, podia tratar-se de “mais um desses tipos em busca de sucesso por meio de provocações exageradas”. A leitura da matéria despertou minha atenção e rapidamente adquiri o livro – que li com atenção e prazer, mas também com divergências importantes. Interessei-me pelo livro porque, como examinador de dissertações e teses, identifiquei-me com algo que dizia Gusmão na matéria citada: “É praticamente impossível defender um mestrado ou doutorado sem apresentar questões teóricas, cobrança dispensável e funesta”. Achei “funesta” um tanto exagerado, mas tendi a concordar em grande medida com o “dispensável”. De fato, participando há anos de bancas, já partilhei idêntico sentimento. Exemplo: um mestrando que examinei certa vez, aluno excelente e dedicado, havia adotado como seu “marco teórico” a (para mim) impenetrável análise do discurso francesa. Metade do trabalho era um capítulo teórico para levar à conclusão, a outra metade, de que Getúlio Vargas tinha um discurso... paternalista! Na ocasião ocorreu-me uma brincadeira que expus com toda seriedade: mas como Hannah Arendt haveria chegado à conclusão de que Hitler tinha um discurso totalitário sem haver lido Pêcheux?...

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@ 2012 - PPGS - Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPE.

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