A REGULAÇÃO BIOTECNOLÓGICA DO SOFRIMENTO E DO BEM-ESTAR SUBJETIVO: o papel da psicofarmacologia na percepção dos psiquiatras

Eliane Maria Monteiro da Fonte, Shirley Alves dos Santos

Resumo


Este artigo tem como foco as transformações nas formas de tratamento do sofrimento psíquico pela psiquiatria na atualidade, buscando entender qual o significado atribuído pelos psiquiatras à terapêutica psicofarmacológica. O estudo investiga também como estes profissionais percebem a construção de uma psiquiatria voltada não apenas para o tratamento de transtornos mentais, mas também para o alívio do sofrimento intrínseco à vida cotidiana, assim como, para a produção de estados de bem-estar subjetivo (felicidade). A análise tem como base os resultados de uma pesquisa exploratória realizada com psiquiatras que atuam na cidade de Recife. Os resultados apontam que a ascensão no consumo de psicofármacos tem suas origens na nova relação dos indivíduos com o bem-estar e o sofrimento, quando generaliza-se a exigência de aniquilar rapidamente, quimicamente, os problemas e disfunções que se tornam insuportáveis à medida em que a felicidade se impõe como modo de vida dominante. No contexto atual, quando a psiquiatria institucionalmente não mais necessita da dualidade saúde/doença para justificar sua prática, ela é instada a se dedicar também a potencializar os humores, com o uso do psicofármaco como dispositivo de controle e eliminação do sofrimento e na produção de estados mentais mais aprazíveis.


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@ 2012 - PPGS - Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPE.

ISSN Impresso 1415-000X

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