O bem viver e as religiões Afro-brasileiras: uma aproximação possível?
DOI:
https://doi.org/10.51359/2317-5427.2021.250934Palabras clave:
religiões afro-brasileiras, bem viver, terreirosResumen
Este artigo visa fazer uma aproximação entre o conceito de Bem Viver e as práticas religiosas afro-brasileiras. A pergunta que guia a reflexão é a seguinte: as religiões afro-brasileiras, fruto direto do colonialismo, podem ser interpretadas sob as bases epistemológicas do Bem Viver e como uma alternativa ao desenvolvimento? Através de uma revisão bibliográfica, alguns aspectos dessas religiões foram destacados, como a relação das religiões afro-brasileiras com a Natureza, sendo os Orixás elementos da Natureza divinizados; sua ética da transformação e circulação, manifesta sobretudo através do preparo, circulação e distribuição da comida; a relação dessas religiões com a propriedade onde acontecem os cultos – os terreiros, que são espaços sociais e comuns, chamados inclusive de “casa de santo”, indicando que a propriedade aí é da divindade e não dos seres humanos; além da ancestralidade, da convivencialidade e da reciprocidade presente nos terreiros. Não obstante as práticas religiosas afro-brasileiras serem formas de resistência e apontarem a outras possibilidades de vida que se aproximam ao Bem Viver, ressalta-se a ausência de uma proposta econômica explícita ao desenvolvimento e ao capitalismo nessas religiões.
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