Autoritarismo Digital no Brasil
Masculinidades Conservadoras e Discurso Religioso no Movimento Legendários
DOI:
https://doi.org/10.51359/2317-5427.2025.267307Palavras-chave:
colonialismo digital, algoritmos da opressão, masculinidades conservadoras, populismo religioso, redes sociais digitaisResumo
Este artigo investiga as intersecções (Crenshaw, 1989) entre autoritarismo digital, masculinidades conservadoras e discurso religioso no Brasil contemporâneo, tomando o Movimento Legendários como estudo de caso. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa fundamentada na Análise de Discurso Crítica (ADC) (Magalhães; Martins; Resende, 2017), articulada a uma perspectiva crítica e interseccional que integra gênero, raça, religiosidade e tecnologia. O referencial teórico baseia-se em Connell (1995, 1997, 2013) e Viveros (2018) para discutir masculinidades; em Faustino (2023), Noble (2021) e Tarcízio Silva (2022) para abordar colonialismo e racismo algorítmico; e em Spinoza (2015) e Matos e Sawaia (2023) para compreender os afetos como dispositivos políticos. O corpus analítico inclui o site, as redes sociais e reportagens sobre o movimento, permitindo examinar como práticas discursivas e estéticas multimodais se articulam à lógica das plataformas digitais. Os resultados indicam que o Legendários mobiliza símbolos religiosos e moralistas para reforçar ideais patriarcais e racializados de masculinidade, utilizando estratégias algorítmicas que amplificam conteúdos polarizadores e emocionalmente carregados. Conclui-se que essas práticas consolidam um projeto político e midiático autoritário, sustentado por valores tradicionalistas e pela instrumentalização da fé cristã no ambiente digital.
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