Entre W.E.B. Du Bois e Durkheim: raça como chave interpretativa e categoria analítica da modernidade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51359/2317-5427.2026.269581

Palavras-chave:

teoria sociológica, cânone sociológico, raça, W. E. B. Du Bois, Émile Durkheim

Resumo

Este artigo propõe um diálogo entre Émile Durkheim e W. E. B. Du Bois, explorando a ascensão da raça como categoria analítica e seu papel como elemento fundamental para a compreensão da modernidade. O texto situa a consolidação do cânone da teoria sociológica, bem como suas reconfigurações e imbricações históricas, a partir de Raewyn Connell (2012), Michael Burawoy (2024) e Hamlin, Weiss e Brito (2022). A discussão reforça a necessidade de incorporação de Du Bois ao cânone sociológico e do estabelecimento de um diálogo contemporâneo entre suas obras e as dos autores considerados clássicos da Sociologia. O desenvolvimento organiza-se em duas frentes analíticas: a primeira discute o processo de institucionalização da Sociologia e a consolidação de seu cânone; a segunda propõe um diálogo teórico entre Du Bois e Durkheim, mobilizando a leitura de Karen E. Fields e Barbara J. Fields (2012) sobre o estatuto sociológico da raça. Ao final, argumenta-se que a reinterpretação crítica do cânone permite iluminar os fundamentos da raça no campo disciplinar e explorar as potencialidades analíticas do diálogo entre Du Bois e Durkheim.

Biografia do Autor

Ana Carolina Ribeiro Duarte, Universidade Federal de Santa Catarina

Universidade Federal de Santa Catarina. Doutoranda em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Ciência Política (PPGSP) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Mestra em Sociologia (PPGS/UFG) e licenciada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Goiás (FCS/UFG).

Maria Luiza da Silva Ortiz, Universidade Federal de Santa Catarina

Universidade Federal de Santa Catarina. Mestranda em Sociologia e Ciência Política pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Licenciada em Ciências Sociais (UFSC) e tecnóloga em Recursos Humanos pelo Centro de Educação Profissional Renato Ramos da Silva. Integra o Núcleo de Estudos em Sociologia, Filosofia e História das Ciências da Saúde (NESFHIS) da UFSC pesquisando temas como saúde mental, medicalização, educação, raça e etnia.

Referências

BURAWOY, M. Caminhar em duas pernas: o marxismo negro e o cânon sociológico. In: ESTANQUE, E.; BARBOSA, A. S.; MACIEL, F. (org.). Re-trabalhando as classes no diálogo Norte-Sul: trabalho e desigualdades no capitalismo pós-covid. São Paulo: EdUNESP, 2024.

CONNELL, Raewyn. O Império e a Criação de Uma Ciência Social. Contemporânea – Revista de Sociologia da UFSCar. São Carlos, v. 2, n. 2, jul -dez 2012, pp. 309-336.

DU BOIS, W. E. B. As almas da gente negra. Tradução, introdução e notas de Heloísa Toller Gomes. Rio de Janeiro: Lacerda Ed., 1999. Tradução de: The Souls of Black Folk.

DU BOIS, W. E. B. Colônias e responsabilidade moral. Afro-Ásia, n. 69, p. 593–606, 2024 [1946].

DU BOIS, W. E. B. Editorial. The Crisis, vol. 16, n. 3, jul. 1918. Whole No. 93. Modernist Journals Project. Brown Digital Repository, Brown University Library. Disponível em: https://repository.library.brown.edu/studio/item/bdr:511336/. Acesso em: 30 jun. 2025.

DU BOIS, W. E. B. Opinion. The Crisis, vol. 18, n. 1, 1 maio 1919. Whole No. 103. Modernist Journals Project. Brown Digital Repository, Brown University Library. Disponível em: https://repository.library.brown.edu/studio/item/bdr:512264/. Acesso em: 30 jun. 2025.

DUBOIS, W.E.B. The Philadelphia Negro: a social Study. Ed. University of Pennsylvania Press, 2019.

DURKHEIM, Émile. As formas elementares da vida religiosa: o sistema totêmico na Austrália. Tradução, revisão técnica e notas de Rafael Faraco Benthien e Raquel Andrade Weiss. 1. ed. São Paulo: Edipro, 2022

DURKHEIM, Émile. O suicídio: estudo de sociologia. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

FIELDS, Karen E.; FIELDS, Barbara J. Racecraft: the soul of inequality in American life. London; New York: Verso, 2012.

GIDDENS, Anthony. Sociologia. 6. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2008.

GOMES, Nilma Lino. Diversidade étnico-racial: por um projeto educativo emancipatório. Retratos da Escola, Brasília, v. 2, n. 2-3, p. 95-108, jan./dez. 2008. Disponível em:

http://www.esforce.org.br. Acesso em: 1 jul. 2025.

HAMLIN, C. L., WEISS, R. A., & BRITO, S. M. Por uma sociologia polifônica: introduzindo vozes femininas no cânone sociológico. Sociologias, 24(61), 2022.

HARAWAY, Donna. Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, Campinas, SP, n. 5, p. 7–41, 2009. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/177

OCORÓ LOANGO, Anny. O Racismo e a hegemonia do privilégio epistêmico. Revista de Filosofia Aurora, [S. l.], v. 33, n. 59, 2021. DOI: 10.7213/1980-5934.33.059.DS05. Disponível em: https://periodicos.pucpr.br/aurora/article/view/27988. Acesso em: 31 jan. 2026.

MAIA, J. M. E. Por que precisamos de uma história não eurocêntrica da sociologia: Réplica a Carlos Sell. Revista Brasileira De Sociologia - RBS, 13, 2025.

MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. 5. ed. rev. e ampl. Belo Horizonte: Autêntica, 2019. (Coleção Cultura Negra e Identidades).

SELL, Carlos Eduardo. A Destruição dos clássicos da sociologia: democratização ou homogeneização?. Revista Brasileira De Sociologia - RBS, 13, e-rbs.1057, 2025.

Downloads

Publicado

06-05-2026