Apresentação do dossiê - A fragmentação disciplinar da sociologia: uma perspectiva histórica e teórica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51359/2317-5427.2026.270271

Palavras-chave:

teoria sociológica, história da sociologia, fragmentação disciplinar, autorreflexividade

Resumo

O texto situa os artigos do dossiê “Desde a gênese, em fragmentação”, do presente número da Estudos de Sociologia. Partindo da constatação de que sociologia é uma disciplina autorreflexiva, o texto tenta estabelecer essa característica em suas bases histórica e sistemática. Sustenta-se que, apesar de suas ricas tradições de pesquisas de opinião, etnografia, investigação histórica e pesquisa quantitativa, a sociologia não produziu um consenso estável sobre um objeto, método ou linguagem teórica unificados. Isso pode ser provado tanto historicamente, pelo recurso à formação da disciplina a partir de diversas linhagens intelectuais e no repertório clássico heterogêneo de Marx, Durkheim, Weber, Simmel, Tarde, Du Bois e outros; como sistematicamente, pela observação de que a sociologia contemporânea continua sendo um campo de subcampos diferenciados e propostas ontológicas concorrentes. O texto, então, argumenta que a fragmentação não é um defeito, mas um atributo constitutivo da sociologia, que os artigos do número especial abordam produtivamente como uma pluralidade a partir da qual repensar o cânone, os limites e os conceitos no presente.

Biografia do Autor

Bruna dos Santos Bolda, Universidade Federal de Santa Catarina

 Universidade Federal de Santa Catarina. Pós-doutora em Sociologia na Ruprecht-Karls-Universität Heidelberg. Estágio pós-doutoral em Sociologia (em andamento) pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Doutora em Sociologia e Ciência Política pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC - bolsista CNPq). Mestra em Sociologia Política pela mesma instituição, também com bolsa CNPq. Licenciada em Ciências Sociais pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), com bolsa de Iniciação Científica PIPe/Artigo 170 (2014 a 2017). Atualmente, é professora colaboradora na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e professora efetiva da Secretaria de Educação de Santa Catarina (SED/SC). Já atuou como professora de Sociologia e Filosofia na Instituição de Ensino Centro Educacional Recriarte (em 2015) e como professora da Faculdade Porto das Águas (em 2019). Integra o Grupo de Pesquisa Max Weber (UFSC), é colaboradora do Weber Scholars Network (WSN) e responsável técnica pelo Blog de Divulgação Científica Socius - Por uma intelectualidade artesanal. Foi coordenadora do Simpósio de Pós-Graduando (SPG) de Teoria Social da Anpocs (2024 e 2025). Entre 2025 e 2026 integra a pesquisa ''A modernização do catolicismo e seu papel na secularização no Brasil: atualizando a abordagem de Max Weber'', em cooperação entre a UFSC, a PUC-Minas, a Universidade Karl-Reprecht Heidelberg e o Heidelberg Center Latin America, na qualidade de bolsista de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação Ext Junior (CNPq). Desenvolve pesquisas sobre a teoria de Max Weber, discutindo principalmente os temas da metodologia, da ontologia e da epistemologia.E-mail: bruna.bolda@hotmail.com

Alberto Farias, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Universidade Federal de Santa Catarina. Obtive um grau em Ciências Sociais (2015.1) pela UFPE. Tenho doutorado (2022.1) e mestrado (2017.1) em Sociologia pelo IESP-UERJ. Meus interesses de estudo e pesquisa se concentram nas subáreas (áreas de atuação) de Teoria Sociológica e Filosofia das Ciências Sociais. Desenvolvo pesquisas na intersecção da sociologia com a filosofia. Tenho experiência com as seguintes especialidades: teoria sociológica clássica, história da sociologia e pensamento social alemão, com ênfase nos seguintes temas: história da teoria social, Georg Simmel, estética e sociologia, Kant e o neokantismo, Kritik der Urteilskraft, teoria crítica alemã, imaginação e ontologia social (Cornelius Castoriadis). Meus projetos de pesquisa distribuem-se entre as seguintes linhas: História sistemática da sociologia; Fundamentos filosóficos da teoria social; Pensamento Social Alemão - esforços reconstrutivos e hermenêuticos; Sociologia (da) Crítica.

Thiago Pinho, Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Universidade Federal da Bahia. Thiago Pinho tem pós-doutorado em Filosofia pela Universität Innsbruck (Áustria), financiado pela Austrian Academy of Science, e também na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Seu doutorado é em ciências sociais pela UFBA e pela Southern California Institute of Architecture - Sci-Arc (Los Angeles, E.U.A), período sanduíche onde foi orientado pelo filósofo Graham Harman, criador da Ontologia Orientada ao Objeto (O.O.O.). Fez também um estágio doutoral na UFPE. Foi professor substituto na UFBA em dois momentos: em 2017 e de 2021-2022, assim como professor de cursos de extensão na UNEB (Universidade do Estado da Bahia), Visconde de Cairu e UCSAL. Trabalhou também como entrevistador na Philosophy Now, revista britânica de estudos filosóficos. Atualmente é professor do departamento de ciências humanas da Universidade Senai Cimatec, professor substituto do departamento de Humanidades na UFBA (IHAC) e também tutor cinco estrelas na SPIRES (British Tutoring), com mais de 400 horas de tutoria, plataforma onde realiza aulas e orientações sobre escrita acadêmica, sociologia e filosofia. É também autor de três livros: Descentrando a Linguagem (Zarte, 2018), Sintomas: Breves Ensaios Sobre uma Sociedade Desorientada (Paco, 2019), ''Reflexos: Leituras de um Tempo em (Re) construção'' (Viseu, 2023) e uma tradução: ''O Objeto Quádruplo'' (Eduerj, 2023), além de ser colunista da Revista Ursula. Sua área de pesquisa é Teoria Social Contemporânea, incluindo subáreas de estudo como Decolonização, Virada Ontológica, Novo Materialismo, Ontologia Orientada ao Objeto, Realismo Especulativo e Pensamento Processual.

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Publicado

06-05-2026