Apresentação do dossiê - A fragmentação disciplinar da sociologia: uma perspectiva histórica e teórica
DOI:
https://doi.org/10.51359/2317-5427.2026.270271Palavras-chave:
teoria sociológica, história da sociologia, fragmentação disciplinar, autorreflexividadeResumo
O texto situa os artigos do dossiê “Desde a gênese, em fragmentação”, do presente número da Estudos de Sociologia. Partindo da constatação de que sociologia é uma disciplina autorreflexiva, o texto tenta estabelecer essa característica em suas bases histórica e sistemática. Sustenta-se que, apesar de suas ricas tradições de pesquisas de opinião, etnografia, investigação histórica e pesquisa quantitativa, a sociologia não produziu um consenso estável sobre um objeto, método ou linguagem teórica unificados. Isso pode ser provado tanto historicamente, pelo recurso à formação da disciplina a partir de diversas linhagens intelectuais e no repertório clássico heterogêneo de Marx, Durkheim, Weber, Simmel, Tarde, Du Bois e outros; como sistematicamente, pela observação de que a sociologia contemporânea continua sendo um campo de subcampos diferenciados e propostas ontológicas concorrentes. O texto, então, argumenta que a fragmentação não é um defeito, mas um atributo constitutivo da sociologia, que os artigos do número especial abordam produtivamente como uma pluralidade a partir da qual repensar o cânone, os limites e os conceitos no presente.
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