A reprodução social nas periferias do capitalismo global

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.51359/2317-5427.2024.261859

Palabras clave:

reprodução social, formações sociais periféricas, trabalho informal, divisão do trabalho racial e de gênero

Resumen

O presente artigo busca apresentar como a reprodução social – que funciona como condição de possibilidade para a manutenção do capitalismo – se manifesta de modos diferentes a partir no eixo centro-periferia do sistema capitalista global. Enquanto a imagem da mulher como dona de casa teria sido amplamente difundida nos países de capitalismo avançado, observamos uma realidade distinta nas localidades periféricas. Tal ponto é perceptível atualmente na medida em que o trabalho reprodutivo é realizado na qualidade de atividades mal remuneradas e informais, performadas sobretudo por mulheres racializadas. Sendo reflexo do movimento de auto expansão e acumulação do capitalismo, cuja origem remonta o colonialismo, o trabalho de reprodução social nos países periféricos apresentaria uma divisão do trabalho de gênero que seria concomitantemente racial.

Biografía del autor/a

Mirian Monteiro Kussumi, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Universidade Federal do Rio de Janeiro. Possui graduação e mestrado em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, doutorado em filosofia pela Puc-Rio. Atualmente, realiza uma pesquisa de pós-doutorado no departamento de filosofia da UFRJ, na linha de pesquisa Gênero, raça e colonialidade, integrando o laboratório “Filosofias do tempo do agora”.

Citas

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Publicado

2024-06-28