Goiás Velho e saberes informulados
histórias, reflexões e vivências
DOI:
https://doi.org/10.51359/2595-7597.2026.270679Palavras-chave:
história da ciência, imersão , goiás velho, saber informulado, formação docenteResumo
Este relato descreve uma imersão pedagógica da disciplina Tópicos de História e Filosofia de Ciências e Matemática em um Mestrado Profissional, buscando superar o formato tradicional de ensino baseado apenas em textos acadêmicos. O objetivo principal foi promover o aprendizado mediante uma experiência, utilizando a cidade de Goiás Velho como "texto", e fundamentando-o teoricamente no ensaio de Raymundo Faoro (1994) sobre o pensamento político brasileiro. A experiência ocorreu, majoritariamente, durante cinco dias em Goiás Velho, começando com encontros preparatórios em Uberlândia. As atividades incluíram caminhadas reflexivas e visitas intencionais ao Colégio de Sant’Ana (UFG), ao Fórum, ao Palácio Conde dos Arcos e ao Quilombo Alto Santana. Esses momentos envolveram a escuta ativa de saberes locais, como o de Dona Maria Luiza (raizeira). A imersão promoveu a autocrítica docente e evidenciou a continuidade das estruturas de poder, visível nos sobrenomes das elites no Palácio Conde dos Arcos, corroborando a tese de Faoro sobre o “monstro patrimonial-estamental-autoritário”. Além disso, a experiência destacou a marginalização de saberes ancestrais e a necessidade de incorporá-los para resgatar o “saber informulado” na prática docente. O contato histórico, que se tornou intenso, demonstrou a importância de visitar locais com intencionalidade pedagógica, servindo como um elo para fortalecer a história da terra. O docente, ao exercer a empatia e o cuidado, pode gerar conhecimento significativo e mais próximo da realidade social dos estudantes.
Referências
FAORO, R. Existe um pensamento político brasileiro? São Paulo: Editora Ática, 1994.
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