Muito além da “bonequinha preta”: jogos, brincadeiras e ‘contação’ de histórias

Antonio Carlos Figueiredo Costa, Letícia Ribeiro Lopes, Samara Cristina de Carvalho

Resumo


O presente artigo elege as atividades lúdicas enquanto proposta pedagógica, no que pretende apontar para o uso de tais atividades enquanto estratégias de ensino para a educação das relações étnico-raciais. Assim, procura assinalar a potencialidade contida na ressignificação do papel da sala de aula enquanto espaço de um aprendizado social e cognitivamente mais significativo. Nesse sentido o que se pretende é resgatar as contribuições da ancestralidade afrodescendente, e com isso, revalorizar sua história como estratégia de reforço à identidade negra. Enfim, pretende-se a positivação de uma cultura diversa da tradição ocidental, com acento especial para o atendimento a grupos étnicos de origem afrodescendente, tradicionalmente marcados pela exclusão na sociedade brasileira. O aceno que se faz portanto, é para que se incluam jogos, brincadeiras e ‘contação de histórias’ como atividades curriculares, sob o signo da pluralidade cultural, e baseada na crença da Escola enquanto espaço de inclusão, liberdade e promoção social.

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