BARBIE VAI AO GINECOLOGISTA: MENSTRUAÇÃO, TEOLOGIA FEMINISTA E BIOPOLÍTICA FARMACOPORNOGRÁFICA NO CINEMA
DOI:
https://doi.org/10.32359/debin2025.v8.n30.p42-64Parole chiave:
Barbie, Teologia Feminista, Biopolítica FarmacopornográficaAbstract
Este artigo tem como objeto de investigação o filme Barbie (2023), dirigido por Greta Gerwig, e suas representações da menstruação, da teologia feminista e dos discursos biopolíticos e farmacopornográficos presentes na cultura contemporânea. O objetivo é investigar como o filme articula a transição de Barbie de um símbolo de fantasia consumista para uma representação do corpo feminino cíclico, sexuado e medicalizado. Utilizando uma abordagem analítica pós-estruturalista, com base nas contribuições teóricas de Paul B. Preciado (2020), Ivone Gebara (2002), Michel Foucault (1979; 1988) e Sarah Banet-Weiser (2018), o estudo questiona como o filme reflete e reforça as normas de gênero, classe e sexualidade no contexto do capitalismo tardio. A visita de Barbie ao ginecologista, um dos momentos-chave do filme, é interpretada como um gesto simbólico que marca não apenas a transformação da personagem, mas também a adesão às normativas biopolíticas e farmacopornográficas que regulam os corpos das mulheres na sociedade contemporânea. O artigo conclui que, apesar de seu potencial para subverter as normas tradicionais de feminilidade, Barbie (2023) continua a operar dentro dos limites impostos pelo sistema de consumo e medicalização, levantando questões críticas sobre o papel do feminismo na cultura contemporânea.
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