12 DE OUTUBRO: O SISTEMA DE GARANTIA DE DIREITOS DA CRIANÇA E ADOLESCENTE E SUAS HERANÇAS COLONIAIS
DOI:
https://doi.org/10.32359/debin2025.v8.n30.p261-283Palavras-chave:
Direitos da criança e do adolescente, Políticas públicas, Colonização, Ficção, SocioeducaçãoResumo
Neste estudo teórico, partimos de uma narrativa ficcional inspirada na música 12 de outubro, do Racionais MC’s, a fim de discutir como as políticas de assistência social no Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente articulam-se com lógicas coloniais que produzem territórios e infâncias desiguais marcados pelo racismo. Desde a escravização, as infâncias negras estiveram no bojo dos interesses econômicos e políticos de um projeto de nação pautado em uma ontologia colonial. Com o Estatuto da Criança e do Adolescente, temos avanços e conquistas fundamentais que convivem, paradoxalmente, com a reprodução de práticas de dominação e extermínios. Por isso, como ensinou Frantz Fanon, precisamos escrever não somente para recordar o passado colonial, mas sobretudo para abrir um futuro que convida à ação e à esperança, o que adquire sentido quando engajamos o corpo e a alma no combate às formas de colonização contemporâneas.
Referências
BENTO, Maria Aparecida Silva. Branqueamento e branquitude no Brasil. In: CARONE, Iray; BENTO, Maria Aparecida Silva (org.). Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 25-58.
BRASIL. Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Levantamento anual SINASE 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/crianca-e-adolescente/LevantamentoSinase20231.pdf. Acesso em: 4 fev. 2025.
COLLINS, Patricia Hill. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento. São Paulo: Boitempo, 2019. (Originalmente publicado em 1990).
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Relações raciais: referências técnicas para atuação de psicólogas/os. Brasília, 2017.
COSTA, Luis Artur. O corpo das nuvens: o uso da ficção na Psicologia Social. Revista Fractal, v. 26, p. 551-576, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1984-0292/1317. Acesso em: 11 mar. 2025.
FANON, Franz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008. (Obra originalmente publicada em 1952).
FANON, Franz. Os condenados da terra. Rio de Janeiro: Zahar, 2022. (Obra originalmente publicada em 1961).
FAUSTINO, Deivison M.; OLIVEIRA, Maria Clara. Frantz Fanon e as máscaras brancas da saúde mental: subsídios para uma abordagem psicossocial. Revista ABPN, v. 12, p. 06-26, 2020.
GONZALEZ, Lélia. A mulher negra na sociedade brasileira: uma abordagem político-econômica. In: GONZALEZ, Lélia. Primavera para as rosas negras: Lélia Gonzalez em primeira pessoa. Diáspora Africana: Editora Filhos da África, 2018. p. 34-53. (Texto originalmente publicado em 1979).
GONZALEZ, Lélia. A categoria político-cultural de amefricanidade. Tempo Brasileiro, n. 92/93, p. 69-82, 1988.
GONZALEZ, Lélia; HASENBALG, Carlos. Lugar de negro. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1983.
KILOMBA, Grada. Descolonizando o conhecimento. Clinicand - Psicanálise e Esquizoanálise. (2021, 19 de março). Disponível em: https://tinyurl.com/yntdkkr2 Acesso em: 08 jun. 2025.
MARTINS, Hildeberto V. Psicologia, colonialismo e ideias raciais: uma breve análise. Psicologia Política, v. 19, n. 44, p. 50-64, 2019.
MBEMBE, Achille. Políticas da inimizade. São Paulo: Editora Antígona, 2017.
PRESOTTO, Gabrielle C.; SANTOS, Thais Rodrigues dos; GIACOMOZZI, Andréia I. Psicologia Social Jurídica e a (des)criminalização de existências da juventude negra. In: SOARES, Laura Cristina E. C.; MOREIRA, Lisandra E.; NEVES, André Luiz M. das; BARROS, João Paulo P. (Orgs.). Psicologia social jurídica: articulações de práticas de ensino, pesquisa e extensão no Brasil. Florianópolis: ABRAPSO, 2022. p. 220-238.
RACIONAIS MC’s. 12 de outubro (Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock, KL Jay). In: Nada como um dia após o outro dia, faixa 8. Gravadora Cosa Nostra, 2002.
RIZZINI, Irene. O século perdido: raízes históricas das políticas públicas para infância no Brasil. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
SANTOS, Elton Vinicius L. S.; MILANI, Débora Raquel C.; PEREZ, Márcia Cristina A. “Infância” das “crianças” negras e escravas no Brasil: aproximações com realidades contemporâneas. Educação em Debate, v. 41, n. 79, p. 35-46, 2019.
SCHUCMAN, Lia Vainer. Sim, nós somos racistas: estudo psicossocial da branquitude paulistana. Psicologia e Sociedade, v. 26, n. 1, p. 83-94, 2014.
UCHOA, Pablo. No ápice do tráfico, Brasil recebeu 775 mil crianças escravas. BBC Brasil, 2007. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2007/04/070405_criancas_escravas_pu. Acesso em: 11 mar. 2025.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
