A toponímia como recurso didático no conceito de lugar nas aulas de geografia do ensino médio
DOI:
https://doi.org/10.51359/2594-9616.2021.248225Palavras-chave:
Toponímia, Lugar, Geografia, Ensino remoto, Interdisciplinar.Resumo
O propósito deste artigo é apresentar a estratégia pela qual a toponímia foi utilizada como recurso didático para trabalhar o conceito de lugar nas aulas de Geografia com os alunos do Ensino Médio do Centro de Ensino Anjo da Guarda, localizada no bairro de mesmo nome no Município de São Luís – MA no ano de 2020. O lócus investigativo é composto de 53 ruas que constam nos seus endereços particulares dos alunos do Primeiro Ano. Nesse sentido, optou-se por explanar sobre a toponímia, conceituando e classificando a partir dos estudos de Dick (1990) para analisar os topônimos catalogados. Em virtude da pandemia, as atividades ocorrerem em formato de ensino remoto. Os alunos foram incentivados e provocados para a aprendizagem na forma síncrona e assíncrona no sentido de estabelecer uma leitura crítica do lugar a partir de uma percepção toponímica possibilitando reconhecer aspectos geográficos e socioeconômicos de sua vivência. Os resultados permitiram compreender uma observação positiva e interdisciplinar do tema e que existe um padrão toponímico entre o ato de nomear os espaços públicos e o contexto histórico em que se atribui os nomes, o tributo a representantes do poder político e seus familiares e elementos religiosos frente a elementos físicos da região como forma de imprimir as relações de poder e posse.Referências
ABREU, Maurício de Almeida. Sobre a memória das cidades. Revista da faculdade de Letras – Geografia, I série, vol. XIV, Porto, 1998, PP. 77-97.
ANDRADE, K. S. O lugar nos estudos toponímicos: reflexões. Revista de Estudos da Linguagem, Belo Horizonte, v.25, n.2, p. 585-607, 2017. Disponível em: http://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/relin/article/view/9547. Acesso em 10 mar. 2020.
BARBOSA, J. R. A. Formação territorial e oligarquias estaduais: notas sobre o uso desigual do território norte-rio-grandense. Revista Interface. Porto Nacional, n.12, p.34-54, dez. 2016. Disponível em: <https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/interface/index>. Acesso em: 25 jun. 2020.
BRASIL, Ministério da Educação (2018). Base Nacional Comum Curricular. Recuperado de http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf
BUZAR, Benedito. O vitorinismo: lutas políticas no Maranhão de 1945 a 1965. São Luís: Lithograf, 1998.
CALLAI, H. C. Estudar o lugar para compreender o mundo. In: CASTROGIOVANNI, A. C. (Org.). Ensino de geografia: práticas e textualizações no cotidiano. Porto Alegre: Mediação, p. 71-114, 2000.
CARLOS, Ana Fani Alessandri. O lugar no/do mundo. São Paulo: FFLCH, 2007, 85p.
CASTRO, Iná Elias de. O mito da necessidade: discurso e prática do regionalismo nordestino. São Paulo: Editora Bertrand do Brasil, 1992.
CASTRO, Mária Célia Dias de. Atlas toponímico do estado do Maranhão: uma proposta de análise da macrotoponímia. Caderno Seminal Digital, n. 28, p. 110–147, jan. 2017. Disponível em:<https://www.epublicacoes.uerj.br/index.php/cadernoseminal/article/view/28381>Acesso em: 20 de 08.2020.
CLAVAL, Paul. A Geografia Cultural. 3.ed. Florianópolis: UFSC, 2007.
COSTA, Edlucy e ZAGO, Fortunato. Dinâmica histórica e Urbana de São Luís. São Luís: Instituto da Cidade, 2008.
COSTA, Marcelo Lima. Das chamas nasce um Anjo: a formação do bairro Anjo da Guarda, em São Luís do Maranhão no contexto do milagre econômico (1968-1980). VI Congresso Internacional de História: Anais eletrônicos . Jataí. Universidade Federal de Goiás/Campus Jataí, 2018.
CURVELO-MATOS, Heloísa Reis. Análise toponímica de 81 nomes de bairros de São Luís/MA. 347f. Tese (doutorado). UFC, Fortaleza, 2014.
D'ABBEVILLE, Claude. História da missão dos padres capuchinhos na Ilha do Maranhão e terras circunvizinhas. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia, 1975.
DICK, Maria Vicentina de Paula do Amaral. Toponímia e antroponímia no Brasil. Coletânea de estudos. São Paulo – SP: Impresso pelo Serviço de Artes Gráficas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas / USP, 1986.
_______. A motivação toponímica e a realidade brasileira. São Paulo, Arquivo do Estado, 1990, 387p.
DUTRA, Laércio da Silva. Mercado público: função, forma e transformação do espaço urbano na região Itaqui-Bacanga, São Luís (MA). 250f. Dissertação (Mestrado em Geografia). UEMA, São Luís, 2017.
ESPÍRITO SANTO, José Marcelo (org.). São Luís: uma leitura da cidade. São Luís: Instituto da Cidade, 2006.
GARCIA, Tânia Cristina Meira et al. Ensino remoto emergencial: proposta de design para elaboração das aulas. SEDIS/UFRN, Natal, 2020. 18p. Acessível em: https://educapes.capes.gov.br/handle/capes/571153
GUILHON, Maria, V. M. Sarneísmo no Maranhão: os primórdios de uma oligarquia. Revista Políticas Públicas, São Luís, v. 11, n. 1, p. 125-148, jan/jun. 2007
HAESBAERT, R. Identidades territoriais. In: ROSENDAHL, Z.; CORRÊA, R. L. (Org.) Manifestações da cultura no espaço. Rio de Janeiro: Eduerj, 1999. p. 169-190.
_______. O mito da desterritorialização: do “fim dos territórios” à multiterritorialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Censo demográfico, 2010. Disponível em: <https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ma/saoluis/panorama>. Acesso em 05 de 08. 2020.
MARANHÃO. DECRETO nº 35662 de 16 de mar. 2020
MELO, Magnólia Sousa Bandeira. Índice toponímico de Centro histórico de São Luís. São Luís: EDUFMA, 1990, 121p.
MORAIS, Antônio Carlos Robert. Bases da formação territorial do Brasil: O território colonial brasileiro no “longo” século XVI. São Paulo: Ed. Hucitec, 2000.
MOTA, Antonia da silva e MANTOVANI, José Dervil. São Luis do Maranhão no Século XVIII: a Construção do Espaço Público sob a Lei das Semarias. São Luís: Func, 1988.
PINTO, G. J. Do sonho à realidade: Córrego Fundo – MG, fragmentação territorial e criação de municípios de pequeno porte. 248f. Dissertação (Mestrado em Geografia). IG-UFU, Uberlândia, 2003.
RAMOS, Ricardo Tupiniquim. Toponímia dos municípios da Bahia: descrição, história e mudanças. Tese de Doutorado. Salvador: UFBA, 2006.
SANTOS, Herbert de Jesus. Um Terço de Memória: Entre Anjo da Guarda e Capela de Onça, e os Heróis do Boi de Ouro. São Luís: Lithograf, 2012.
SANTOS, Milton. A natureza do espaço. São Paulo: Hucitec, 1996.
SÃO LUÍS, LEI n° 2.151 DE 04 de fev. 1975.
SEPLAN, Secretaria Municipal de Planejamento. Leitura urbana – São Luis. São Luís, 2014
SOUSA, J. H. P. MARCOLINO, R. R. S. A representação da identidade regional do Nordeste na telenovela. NAMID/UFPB, ano XII, n. 06. Junho/2016. Disponível em: <https://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/tematica> Acesso em: 10 de abr. 2020.
TUAN, Yi-Fu. Espaço e Lugar: a perspectiva da experiência. São Paulo: DIFEL, 1983.
VIDAL DE LA BLACHE, Paul. Sobre o espírito geográfico. Revista Política e Literária. nº18, ano 52. Paris: Gabinetes da Revista Política e Literária e da Revista Científica, p. 556-560,1914.
VIEIRA FILHO, Domingos. Breve história das ruas e praças de São Luís. São Luís: Olímpica, 1971.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2021 ERIELSON MIRANDA PEREIRA

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a) Autores mantêm os direitos autorais e concedem à REVISTA ENSINO DE GEOGRAFIA (RECIFE) da Universidade Federal de Pernambuco o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional. CC BY -
. Esta licença permite que os reutilizadores distribuam, remixem, adaptem e criem a partir do material em qualquer meio ou formato, desde que a atribuição seja dada ao criador. A licença permite o uso comercial.
b) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.
d) Os conteúdos da REVISTA ENSINO DE GEOGRAFIA (RECIFE) estão licenciados com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional. CC BY -
. Esta licença permite que os reutilizadores distribuam, remixem, adaptem e criem a partir do material em qualquer meio ou formato, desde que a atribuição seja dada ao criador. A licença permite o uso comercial.
No caso de material com direitos autorais a ser reproduzido no manuscrito, a atribuição integral deve ser informada no texto; um documento comprobatório de autorização deve ser enviado para a Comissão Editorial como documento suplementar. É da responsabilidade dos autores, não da REVISTA ENSINO DE GEOGRAFIA (RECIFE) ou dos editores ou revisores, informar, no artigo, a autoria de textos, dados, figuras, imagens e/ou mapas publicados anteriormente em outro lugar.
