Aproveitamento de rejeito de calcário do Cariri cearense na formulação de argamassa
Palavras-chave:
calcário, aproveitamento de rejeitos, indústria cimenteira, pedra caririResumo
A região do Cariri cearense na bacia da chapada do Araripe possui um grande potencial de calcário de dois tipos: o calcário sedimentar laminado usado como piso e revestimento na construção civil, conhecido comercialmente como Pedra Cariri, e o calcário metamórfico produzido em caieiras para fabricação da cal. A mineração é sem dúvida um fator importante no desenvolvimento. Entretanto, os processos de mineração e beneficiamento de calcário sedimentar laminado para fabricação de pisos e revestimentos produzem uma grande quantidade de rejeito responsável por grandes danos ao meio ambiente. Neste trabalho foram feitos ensaios de reatividade pozolânica a fim de incorporar o calcário em argamassas de cimento e areia de forma a não só reduzir custos como tornar atrativo o uso deste material por indústrias que possam utilizar o rejeito como elemento base de seus processos produtivos. O material utilizado para este trabalho foi rejeito de calcário sedimentar do cariri cearense com granulometria de 48 mech; cimento Portland CP V-ARI-RS e areia média. O traço utilizado para a argamassa foi de 1:3 com fator água/cimento igual a 0,60. Nesta pesquisa, decidiu-se por realizar a adição do calcário na argamassa em duas etapas distintas: a primeira com substituição da areia pelo calcário em proporções de 5%, 10%, 15%, 20% e 25% do peso da areia, mantendo-se constante o peso do cimento e o fator água/cimento; e a segunda com a substituição do cimento pelo calcário, também em proporções de 5%, 10%, 15%, 20% e 25% do peso do cimento, mantendo-se constante o peso da areia e o fator água/pó (cimento + calcário). Tanto na primeira como na segunda etapa foram moldados seis corpos de prova para cada traço, que foram rompidos dois a dois aos 7, 14 e 28 dias respectivamente. Os resultados obtidos apresentaram uma boa atividade pozolânica quando da substituição do cimento pelo calcário em proporções entre 15% e 20% do peso do cimento, com uma pequena perda de resistência à compressão comparada a do traço com 0% de adição de calcário. Conclui-se que é possível compatibilizar a preservação do meio ambiente com a produção de bens minerais, transformando rejeito de calcário em matéria prima.
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