Geologia e potencial metalogenético para ouro de uma área ao norte do município de Salgueiro (PE)
DOI:
https://doi.org/10.51359/1980-8208.2023.259797Palavras-chave:
província borborema, veios de quartzo auríferos, distrito parnamirim-serrita-cedroResumo
A região do município de Salgueiro, oeste do estado de Pernambuco, é conhecida pela presença de veios de quartzo auríferos. Estudos geológicos na região começaram na década de 80 e se intensificaram nos últimos anos devido ao alto preço do metal Au no mercado. A área de estudo está localizada na Província Borborema, no Domínio Piancó-Alto Brígida, onde são encontradas rochas supracrustais do Supergrupo Salgueiro, de idade toniana, e intrusões graníticas ediacaranas diversas como a Suíte Intrusiva Serrita e o Stock Barra Verde. O mapeamento geológico de uma área com cerca de 36 km2 na escala 1:20.000, resultou na caracterização de 4 unidades de rochas metassedimentares denominadas: GI, GII, GIII e GIV. Em geral, essas unidades apresentam rochas com colorações variando de avermelhado à cinza-esverdeado, de granulação fina-média, exibindo xistosidade e textura lepidoblástica. Um metarriolito ocorre na forma de soleira intercalados nos xistos da Unidade GIV, representando o vulcanismo félsico do Supergrupo Salgueiro. Veios de quartzo afloram em praticamente todas as porções da área estudada, e podem ser divididos em 2 grupos: o tipo V1 formado por veios de quartzo sacaroidais, milimétricos a centimétricos, com direção preferencial NW-SE, preenchendo fraturas e foliação plano axial de dobras intrafoliais; e o tipo V2, de aspecto leitoso, apresenta dimensões centimétricas a métricas e preenchem fraturas de direção WNW-ESE. Ambos têm textura blocky e mostram-se intensamente fraturados com preenchimento tardio por óxidos/hidróxidos de ferro e manganês. A geologia estrutural da área é marcada por uma foliação principal/xistosidade (Sn) paralela ao acamamento sedimentar (S0) de direção NW-SE com mergulho fraco a moderado para NE. Quase perpendicular a Sn, clivagens de crenulação formam dobras plano axiais oblíquas à xistosidade (Sn+1) e são afetadas por dobras abertas com planos axiais verticais (Sn+2) WNW-ESE e uma incipiente transcorrência, no fim da orogenia brasiliana. O fraturamento e falhamento tem direção principal NE-SW e permitiram a passagem de fluidos hidrotermais e consequente geração da biotita xisto com carbonato-muscovita (hidrotermalito). Análises geoquímicas por Fluorescência de Raios-X portátil (FRXp) indicam que há um aumento na quantidade de SiO2 (de 40% para 48%) da base para o topo das unidades de rochas supracrustais (de GI para GIV), com um enriquecimento de K2O (de até 118%) dado por hidrotermalismo afetando a biotita xisto com carbonato-muscovita, além de aumento relativo de Al2O3 (de até 39%), em relação às rochas metassedimentares não alteradas por este processo. Os veios de quartzo são formados por SiO2 (>96%) com teores de Cr (150-240 ppm), Cu (40-80 ppm), S (62,5-70 ppm) e V (17,5-30 ppm), além de Zn, As, Rb, Sr, Zr, Nb, Pb e Bi, todos detectados, mas em concentrações abaixo dos limites de detecção das análises. A presença de paragonita [NaAl3Si3O10(OH)2] em equilíbrio textural com os minerais-minério complementa a associação mineral hidrotermal indicando influência de fluidos hidrotermais magmáticos. Ainda há carbonatação, potassificação, sericitização, cloritização e oxidação. A presença de pirita aurífera (Au em torno de 8% em peso) associada aos veios de quartzo é indicativa de um ambiente fértil com possibilidades prospectivas para ouro na área.
Referências
ALMEIDA, F. F. M; HASUI, Y; BRITO NEVES, B.B, FUCK, R.A. Brazilian structural provinces: an introduction. Earth-Science Reviews, v. 17, n. 1-2, p. 1-29, 1981.
Arthaud, M.H. 2007. Evolução neoproterozóica do Grupo Ceará (Domínio Ceará Central, NE Brasil): da sedimentação à colisão continental brasiliana. Tese de Doutorado. Instituto de Geociências, Universidade de Brasília.
BEURLEN, H; DA SILVA, M.R.R; SANTOS, Roberto B. Auriferous quartz veins from northeastern Brazil: a fluid-inclusion study. International Geology Review, v. 39, n. 7, p. 578-588, 1997.
BIERLEIN, F.P; GROVES, D.I; GOLDFARB, R.B; DUBÉ, B. Lithospheric controls on the formation of provinces hosting giant orogenic gold deposits. Mineralium Deposita, v. 40, p. 874-886, 2006.
BRITO NEVES, B.B; SANTOS, EJ; FUCK, R.A; SANTOS, L.C.M.L. A preserved early Ediacaran magmatic arc at the northernmost portion of the Transversal Zone central subprovince of the Borborema Province, Northeastern South America. Brazilian Journal of Geology, v. 46, p. 491-508, 2016.
BRITO, M.F.L; MARINHO, M.S. Geologia e recursos minerais da folha Salgueiro SC. 24-XB-III: estado de Pernambuco. CPRM, 2017.
BUTT, C.R.M; HOUGH, R.M. Why gold is valuable. Elements, v. 5, n. 5, p. 277-280, 2009.
CAVALCANTE, R., CUNHA, A. L. C. D., OLIVEIRA, R. G. D., MEDEIROS, V. C. D., DANTAS, A. R., COSTA, A. P. D., LINS, C. A. C., LARIZZATTI, J. H. 2016) Metalogenia das Províncias Minerais do Brasil: Área Seridó-Leste, extremo nordeste da Província Borborema (RN-PB), estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba. CPRM.
Castro, V.H.S. 1984. Projeto Serrita: Final unpublished report: Companhia de Pesquisa de Recursos Minerals, v. 1.
GOLDFARB, R.J.; GROVES, D.I.; GARDOLL, S. Orogenic gold and geologic time: a global synthesis. Ore geology reviews, v. 18, n. 1-2, p. 1-75, 2001.
LE MAITRE, R. W; BATEMAN, P; WOOLLEY, A.R; ZANETTIN, B; DUDEK, A; KELLER, J; LAMEYRE, J; LE BAS, M.S; SABINE, P.A; SCHMID, R; SORENSEN, H; STRECKEISEN, A. A classification of igneous rocks and glossary of terms. Recommendations of the IUGS Subcommission on the Systematics of Igneous rocks. 1989.
MARINHO, M.S. Evolução estrutural e aspectos petrológicos das ocorrências auríferas de Serrita e Parnamirim, Pernambuco. 2012.
MCKEAG, S. A.; CRAW, D.; NORRIS, R. J. Origin and deposition of a graphitic schist-hosted metamorphogenic Au-W deposit, Macraes, East Otago, New Zealand. Mineralium deposita, v. 24, p. 124-131, 1989.
MEDEIROS, V. C, CAVALCANTE, R; CUNHA; A.L.C; DANTAS, A.R; COSTA, A.P; BRITO, A.A; RODRIGUES, J.B; SILVA, M.A. O furo estratigráfico de Riacho Fechado (Currais Novos/RN), domínio Rio Piranhas-Seridó (província Borborema, NE Brasil): procedimentos e resultados. Estudos Geológicos, v. 27, n. 3, p. 3-44, 2017.
MEDEIROS, V.C. Evolução geodinâmica e condicionamento estrutural dos terrenos Piancó-Alto Brígida e Alto Pajeú, domínio da Zona Transversal, NE do Brasil. 2004.
MEDEIROS, V.C; JARDIM DE SÁ, E. F. O Grupo Cachoeirinha (Zona Transversal, NE do Brasil) redefinição e proposta de formalização. Revista de Geologia, v. 22, n. 2, p. 124-136, 2009.
NEVES, S.P; VAUCHEZ, A; CARRINO, T.A; BANERJEE, S. The Borborema strike-slip shear zone system (NE Brazil): large-scale intracontinental strain localization in a heterogeneous plate. Lithosphere, v. 2021, n. Special 6, 2021.
Passchier, C.W., Trouw, R.AJ. 2005. Microtectonics. Springer Science & Business Media.
REINHARDT, M.C; DAVISON, I. Structural and lithologic controls on gold deposition in the shear zone-hosted Fazenda Brasileiro Mine, Bahia State, Northeast Brazil. Economic Geology, v. 85, n. 5, p. 952-967, 1990.
RICKWOOD, Peter C. Boundary lines within petrologic diagrams which use oxides of major and minor elements. lithos, v. 22, n. 4, p. 247-263, 1989.
SANTOS; L.C.M.L; OLIVEIRA, R.G; LAGES, G.A; DANTAS, E.L; CAXITO, F; CAWOOD, P.A, REINHARDT, A.F; LIMA, H.M; SANTOS, G.L; ARAÚJO NETO; J.F. Evidence for Neoproterozoic terrane accretion in the central Borborema Province, West Gondwana deduced by isotopic and geophysical data compilation. International Geology Review, v. 64, n. 11, p. 1574-1593, 2022. MEDEIROS, V.C. Evolução geodinâmica e condicionamento estrutural dos terrenos Piancó-Alto Brígida e Alto Pajeú, domínio da Zona Transversal, NE do Brasil. 2004.
SIAL, A.N.; FERREIRA, V.P. Magma associations in Ediacaran granitoids of the Cachoeirinha‒Salgueiro and Alto Pajeú terranes, northeastern Brazil: Forty years of studies. Journal of South American Earth Sciences, v. 68, p. 113-133, 2016.
SILVA, A.I. Estudo Petrográfico e de Química Mineral de Rochas Mineralizadas em Ouro, a Leste de Salgueiro (Pernambuco), Província Borborema, Nordeste do Brasil. Não Publicado. 2023.
TORRES, H.H.F.; BARROS, F.A.R.; SANTOS, E.J.; FARINA, M.; MARANHÃO, R.J.L. 1986. Projeto Serrita – Relatório Final de Pesquisa, alvarás 3176/85, 4193/85, 4910/85 e 2750/86. Recife, CPRM. 1 v., 1986.
TORRES, H.H.F.; SANTOS, E.J. 1983. Projeto Serrita – Atividades desenvolvidas em 1982 e programação para 1983. Recife, CPRM. 30 p., 1983.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os direitos autorais para os textos publicados são do autor, com direitos do periódico sobre a primeira publicação. Os autores somente poderão utilizar os mesmos textos em outras publicações indicando claramente este periódico como o meio da publicação original.
