Mapeamento geológico na área de mineralização aurífera (veio de prata e veio da ilha), a leste de Salgueiro (Pernambuco), Província Borborema, Nordeste do Brasil
DOI:
https://doi.org/10.51359/1980-8208.2024.264087Palavras-chave:
Província Borborema, metalogênese, mapeamento geológico, distrito aurífero Salgueiro-Verdejante, ouroResumo
Inserida no Terreno Piancó-Alto Brígida da Zona Transversal da Província Borborema, a área de estudo (com cerca de 30km²), nas imediações da cidade de Salgueiro-PE (Distrito Aurífero Salgueiro-Verdejante), é conhecida por possuir mineralizações auríferas em veios de quartzo encaixados em micaxistos. Visando uma melhor caracterização dos litotipos encaixantes e da mineralização, foi realizado o mapeamento em escala de semidetalhe (1:20.000). Foram identificados pelo menos três litologias principais, sendo micaxistos, tonalitos e quartzo-monzonitos. Os micaxistos são compostos essencialmente por biotita, muscovita, clorita e quartzo, podendo possuir granada. O minério aurífero ocorre em veios de quartzo de direção NE-SW, com espessura de 0,25 a 1,4 m. A assembleia dos minerais de minério é composta por pirita, calcopirita e bornita. A configuração estrutural apresenta um trend predominantemente NE-SW, com mergulho da foliação variando de 18° a 50° para SE e NW, indicando dobramentos. O metamorfismo é caracterizado pela assembleia biotita+granada+muscovita, indicando final de fácies xisto-verde a início de fácies anfibolito, com clorita indicando retrometamorfismo na fácies xisto-verde. A alteração hidrotermal ocorre em halos de 30 a 50 cm de largura nos mica xistos encaixantes em torno do Veio de Prata e no Veio da Ilha, caracterizada pela atuação de eventos de potassificação (muscovita e sericita), ferritização (hematita), sulfetação (pirita, calcopirita e bornita) e carbonatação (calcita). A estruturação e o metamorfismo encontrados na área, assim como a paragênese hidrotermal encontrada, corroboram com a atuação de um fluido hidrotermal aquo-carbônico na formação dos minérios auríferos, classificados como depósitos de ouro orogênicos, apresentando uma fertilidade metalogenética favorável para a descoberta de novas ocorrências de Au (-Ag-As-Pb).
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