(Ensaio) Uma aula de civilização ocidental: por que as Humanidades continuam a perder estudantes para as ciências?
Palabras clave:
UFPE, Estudos Universitários, Revista de culturaResumen
Sobre a minha mesa, o livro está aberto na página nove, onde se lê: “À janela de um vagão de trem viajando a velocidade constante, eu solto uma pedra no solo, mas sem jogá-la”. As palavras são de Einstein, falando a leigos na tradução de 1920 do seu introdutório Sobre a teoria da relatividade especial e geral. Para ele, que está no trem, a pedra cai em linha reta, enquanto o pedestre lá fora a vê traçando uma parábola. Esse gesto simples mostra que o movimento é relativo, muda conforme a posição do observador. É assim que tem início a apresentação do maior avanço da física moderna: não com uma fórmula, mas com um cenário. E não é esse um caso de ocorrência única, ao longo do livro. Einstein o retoma de novo e de novo, acrescentando novos elementos a cada etapa da demonstração: um corvo em sobrevoo, um homem cruzando o vagão sem se sentar. Quer realmente que o leitor se imagine no vagão, e veja o que está acontecendo. Sim, é verdade que há menções a “sistemas galileanos de coordenadas” e a Lorentz falando em “fenômenos ópticos e eletrodinâmicos”, que exigem raciocínio científico, mas há igualmente a encenação dramática que põe à prova a imaginação.
Meus colegas do Departamento de Inglês adoram esse tipo de exemplo. Ele mostra como as Humanidades são importantes para as fronteiras da ciência, sem falar no seu valor para o progresso da sociedade. Se essa ideia parece um exagero, uma súplica desesperada por relevância, levemos em conta o que eles recentemente testemunharam em poucos anos, e que a pode ter provocado.
Descargas
Cómo citar
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2022 Estudos Universitários

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
A submissão de originais para este periódico implica na transferência, pelos autores, dos direitos de publicação impressa e digital. Os direitos autorais para os textos publicados são do autor, com direitos do periódico sobre a primeira publicação. Os autores somente poderão utilizar os mesmos textos em outras publicações indicando claramente este periódico como o meio da publicação original.





