Juventudes periféricas e redes digitais: hegemonia algorítmica e insurgência simbólica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51359/2675-7354.2025.268332

Palavras-chave:

juventudes periféricas, geração z, redes digitais, hegemonia algorítmica, participação social

Resumo

Este ensaio teórico, de abordagem crítico-interpretativa, analisa as formas contemporâneas de participação social entre juventudes periféricas da Geração Z, geração nascida a partir de meados dos anos 1990 junto à expansão da internet. A investigação articula referências bibliográficas críticas e observação de fenômenos sociais recentes, discutindo como as juventudes resistem aos processos de plataformização da vida, vigilância algorítmica e aprofundamento das desigualdades. O estudo examina o uso político das redes digitais como território de disputa simbólica e visibilidade seletiva, evidenciando a construção de subjetividades insurgentes que desafiam a lógica da exposição neoliberal e da invisibilidade social. Ao iluminar as contradições entre hegemonia algorítmica e práticas contra-hegemônicas no cotidiano digital, o artigo contribui para compreender as potencialidades e os limites da ação política juvenil em contextos periféricos.

Biografia do Autor

Thiago de Oliveira Machado, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Assistente Social formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Doutor e Mestre em Serviço Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e Especialista em Saúde Pública pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). É pesquisador no Núcleo sobre Trabalho, Políticas Públicas e Serviço Social (TRAPPUS/PPGSS-PUC-Rio), na linha de pesquisa Trabalho, Política Social e Sujeitos Coletivos. Atua com experiência em gestão, tendo sido representante técnico na área do Serviço Social no Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap-UFF/Ebserh), coordenador de comissão permanente de humanização em hospital universitário (Huap-UFF/Ebserh) e coordenador de pesquisa de campo em projeto educacional (Edubem/Funrio). Possui também trajetória na docência e na preceptoria em programas de pós-graduação lato sensu, especialmente na modalidade de Residência Multiprofissional em Saúde Pública, com atuação em hospital universitário. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a qualificação das práticas profissionais e a articulação entre ensino, pesquisa, gestão e políticas públicas.

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Publicado

17.12.2025

Como Citar

Machado, T. de O. (2025). Juventudes periféricas e redes digitais: hegemonia algorítmica e insurgência simbólica. Estudos Universitários, 42(1), 1–30. https://doi.org/10.51359/2675-7354.2025.268332