Mídias tradicional versus digital na concepção arquitetônica e seus reflexos na cognição

Gisele Lopes de Carvalho, Ney de Brito Dantas

Resumo


Esta pesquisa objetiva relacionar os processos cognitivos dos arquitetos durante a concepção arquitetônica usando as mídias tradicionais e digitais. Dados empíricos foram coletados a partir da: (1) filmagem de dois grupos de sujeitos usando ambas as mídias a fim de executar duas tarefas isomórficas (projetos); (2) questionários e (3) análise dos protocolos verbais retrospectivos dessas tarefas. Esses grupos foram observados no Brasil e na Inglaterra. A análise de um esquema de códigos do comportamento projetual dos sujeitos (segmentações e categorias de ações cognitivas) possibilitou um estudo relacional da atividade projetual em termos das ações cognitivas primitivas adotadas pelos sujeitos nas duas mídias. Os resultados indicaram que a mídia tradicional ainda apresenta vantagens sobre a mídia digital devido tanto às limitações do estado da arte de hardware e software quanto à falta de compreensão e domínio da ferramenta computacional por parte do usuário. Algumas vantagens relacionadas ao uso da mídia tradicional foram: (1) fornecer ao arquiteto um suporte melhor à percepção dos aspectos visuais e espaciais e das relações organizacionais do projeto; (2) produzir mais soluções alternativas (transformações laterais) evitando cristalizações prematuras de soluções projetuais e (3) uma melhor compreensão do problema projetual.


Palavras-chave


cognição; computação gráfica; projetação; esboço; lápis.

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Referências


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relacional entre as mídias tradicional e digital na concepção do projeto

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