Álvaro de Campos e o ser: a luta pela vida

Miguel Ângelo Andriolo Mangini

Resumo


Este ensaio tem como objetivo refletir sobre a condição existencial de Álvaro de Campos como eu-lírico do poema “Ode marítima”. Os poetas dentro da poesia de Fernando Pessoa não vivem no “mundo real” da humanidade, mas também não são apenas personagens ficcionais, pois parecem ter vida própria e consciência autônoma. Eles estão em algum lugar entre o “ser real” humano e o “não ser”. Por isso, lidam com questões metafísicas frequentemente, buscando respostas para os mistérios do ser e da existência própria, e Álvaro de Campos tem uma forma particular de fazê-lo, assim como os outros. Para essa reflexão, parte-se de algumas considerações de Alfredo Antunes, em “Fernando Pessoa: Meditações da Estrada” (2015), sobre as questões do ser na poesia de Pessoa, que envolvem a impossibilidade de encontrar respostas definitivas para a existência e o consequente niilismo. Com essas considerações e a análise do poema, propõe-se que o eu-lírico tem um apego à “vida real” e que está em uma constante busca pela existência no “mundo real”. Álvaro de Campos expressa seus sentimentos, cultura, crenças etc. enquanto aspira a uma existência mais “concreta” e humana. De todo modo, esse poeta existe como se estivesse morto, quando se compara seu estado literário ao do humano do “mundo real”, e a proposta aqui é a de que ele busca constantemente a vida humana, comparando-se ao humano e ao mundo humano, mas tendo a certeza pessimista de que sempre será um ser literário, ainda que autônomo.


Referências


ANTUNES, Alfredo. Fernando Pessoa: meditações da estrada. Recife: Bm4 Comunicação e Marketing, 2015.

PESSOA, Fernando. Mensagem. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1976.

_____. Poesia completa de Álvaro de Campos. São Paulo: Cia das Letras, 2007.

_____. Teoria da heteronímia. Porto: Assírio & Alvim, 2012.

QUESADO, José Clécio Basílio. A subjetivação da objetividade em Álvaro de Campos. In: O constelado Fernando Pessoa. Rio de Janeiro: Imago, 1976.


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