Desviar de programas: Vilém Flusser nas fronteiras entre arte, tecnologia e política

Debora Pazetto Ferreira

Resumo


As intersecções entre arte e tecnologia são amplamente estudadas nas artes, mas há poucas abordagens filosóficas sobre o assunto. Este artigo se insere nessa lacuna, partindo de algumas ideias de Vilém Flusser. De acordo com o autor, o termo grego techné foi dividido em uma parte que se tornou objetivada a serviço da ciência e credenciada como o único tipo de conhecimento rigoroso, e em outra parte que foi subjetivada enquanto produção de formas estéticas sem valor epistemológico. Assim, no contexto científico, a techné foi transformada em tecnologia e amputada da estética, da ética e da política, ao passo que, no contexto artístico, foi transformada obras de arte amputadas do conhecimento e separadas da vida cotidiana. O problema é que objetividade e subjetividade são consideradas abstrações em relação ao conhecimento concreto, que é sempre intersubjetivo e, portanto, político. Por conseguinte, seria preciso superar a ruptura entre arte, tecnologia e ciência para politizá-las, isto é, para resgatar um tipo de conhecimento que esteja em sintonia com os valores, ideias, técnicas e vivências estéticas da coletividade. Tendo em vista essas considerações, este artigo aborda diversos exemplos em que arte e tecnologia são misturadas de modo a politizar o debate sobre ambas.

Palavras-chave


arte, tecnologia, política, pós-história, Vilém Flusser

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