Arte e hospitalidade: Um protocolo

Hilan Bensusan

Resumo


1 Pierre Klossowski em Les lois de l'hospitalité anuncia a força da curiosidade: uma anfitriã não se entrega jamais à suspeita ou à inveja porque ela é curiosa. A curiosidade conduz a hospitalidade.

2 Mesmo invisível, a arte tem um destino. Ela se destina a encontrar alguém, mesmo que não fale o seu nome. É o mesmo tipo de destino das portas, das entradas, das casas de pensão. Ela recebe. Ela é receptividade. Como um órgão da sensibilidade em construção. Receptividade é hospitalidade.

3. A arte é ela mesma o nome de um hotel. Ela abriga os descabidos – as pinturas que não prestam para oratórios e nem para laboratórios, as esculturas que não são cadeiras, as performances que não são liturgias, os textos que não são teses, as instalações que não são dispositivos. E abrigam os desvios das pinturas de oratório e laboratório, os desvios das esculturas que são cadeiras, os desvios das performances que são liturgias, os desvios dos textos que são teses e os desvios das instalações que são dispositivos. De toda parte pode vir a artista. De qualquer santo.

4 A hospitalidade é da natureza do pedido e do perdão – não há nada de compulsório em receber alguém, em atender a um pedido ou em perdoar – Klossowski diz: ela é acidental, mas é essencial para quem é nômade, estrangeiro (ou necessitado, ou arrependido).

5 A arte se intensifica quando se torna imperceptível.


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