Comprometimentos filosóficos implícitos na tradução-cálculo de argumentos informais
DOI :
https://doi.org/10.51359/2357-9986.2025.263844Mots-clés :
lógica informal, Epistemologia da Lógica, vaguezaRésumé
Se assumirmos que a Lógica formal pode contribuir para as análises da Lógica informal, uma dessas contribuições é a estratégia de tradução-cálculo, que parece muito comum no ensino de Lógica. Defendo que essa estratégia de tradução pressupõe a adoção de uma teoria da vagueza, mesmo que tacitamente. Argumento, ainda, que o ensino de Lógica, ao recorrer à tradução-cálculo como ferramenta pedagógica, adota como teoria da vagueza o niilismo semântico. Argumento também que escolher uma teoria da vagueza em detrimento de outra é um gesto com repercussões lógicas (formais) possivelmente relevantes. Exemplifico esse ponto comparando o niilismo semântico ao supervaluacionismo, uma teoria da vagueza estruturalmente semelhante ao niilismo que, no entanto, ocasiona perda de verofuncionalidade. Levanto algumas ressalvas, por fim, contra uma suspeita quanto ao valor da Lógica informal enquanto disciplina. Esta discussão não pretende abordar aprofundadamente o problema filosófico da vagueza, ou avaliar os méritos e deméritos do niilismo semântico ou do supervaluacionismo como teorias da vagueza. O objetivo é contribuir para a epistemologia da Lógica e para ilustrar que tipo de repercussão a vagueza, e suas teorias, têm sobre a relação entre Lógica formal e informal.
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