Investigação do Fluxo no Sistema Aquífero do Flanco Oeste do Sinclinal Moeda, Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais, Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26848/rbgf.v18.05.p3350-3376

Palavras-chave:

água subterrânea; hidrogeologia; reserva renovável.

Resumo

O Aquífero Cauê, localizado no flanco oeste do Sinclinal Moeda no Quadrilátero Ferrífero, Brasil, destaca-se pela sua significativa relevância hidrogeológica regional, fornecendo água para diversas cidades no entorno. Contudo, enfrenta interferências decorrentes das atividades de exploração, sendo frequentemente sujeito a rebaixamento dos níveis de água. Devido à sua riqueza hídrica, o Sinclinal Moeda é responsável pelo abastecimento de água em municípios associados e tem se tornado atrativo pólo industrial, com instalação de empreendimentos que necessitam de alta demanda d’água. Dessa forma, o presente estudo visa avaliar hidrogeologicamente os aquíferos do flanco oeste do Sinclinal Moeda desde setembro de 1999 – época com aumento exponencial da produção de minério de ferro. Foram definidas unidades aquíferas e não aquíferas, estabelecidos os limites hidrogeológicos, definido os parâmetros hidráulicos, realizado o balanço hídrico e calculado a reserva permanente, bem como a interferência do aquífero. Além disso, elaborou-se um mapa potenciométrico a partir dos dados obtidos no monitoramento – referente ao ano de 2019. Distinguiu-se um fluxo regional N-S e um sub-regional E-W. Mediante a definição das unidades aquíferas: Moeda, Cauê, Gandarela, Itacolomi e das Coberturas, e das unidades não aquíferas: Complexo, Supergrupo Rio das Velhas, Batatal, Piracicaba e Sabará, estabeleceu-se as condições de contorno através da interação dos aquíferos com os não aquíferos, e da extensão dos aquíferos para além da área de estudo. Ademais, foram evidenciados os locais de influxo subterrâneo e o nível de rebaixamento mensurado por piezômetros. Nas porções norte e central da área se observa que o cone de rebaixamento se estende para além do Aquífero Cauê, retirando água também das unidades aquíferas associadas. Na porção sul, o cone de rebaixamento restringe-se mais localmente ao aquífero Cauê. Essa reversão de fluxo ocorre desde outubro de 2009, período que a taxa de bombeamento outorgada torna-se superior a reserva renovável do Cauê.

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Biografia do Autor

Isabella Brito Andrade, UFMG

UFMG

Rodrigo Sergio de Paula, UFMG

Professor Adjunto do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Minas Gerais. Geólogo graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (2006), mestre em hidrogeologia, com ênfase em modelagem numérica de fluxo de aquíferos cársticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (2012); doutor em hidrogeologia com ênfase em modelo conceitual de fluxo de aquíferos cársticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (2019). Experiência profissional com geologia e hidrogeologia (2007 a 2019). Atuação efetiva em hidrogeologia do carste deste 2005 e hidrogeologia do Quadrilaterro Ferrífero desde 2008. As principais áreas de atuação são: geologia e hidrogeologia de mina, modelagem numérica, isótopos e hidrogeoquímica, perfuração de poços de bombeamento e monitoramento, análise de rede de monitoramento, ensaios hidrodinâmicos e geologia médica e ambiental. Atua como um dos coordenadores do Laboratório de Estudos Hidrogeológicos (LEHID) e pesquisador do Centro de Pesquisa Manuel Teixeira da Costa (CPMTC-IGC-UFMG).

Gabriela Meira Teixeira, UFMG

Geóloga graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e estudante de mestrado com ênfase em hidrogeologia pela mesma instituição. Durante a graduação, foi monitora de Geologia Geral pelo programa de monitoria da PROGRAD, atuou como bolsista de iniciação científica em projeto de pesquisa na área de hidrogeologia em ambiente cárstico, e estagiou em empresas privadas voltadas para a área de Geologia Ambiental, Geoquímica e Hidrogeologia.

Tiago Amancio Novo, UFMG

Vice-diretor do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais. Atuo como Professor Adjunto do Departamento de Geologia deste instituto desde 2013, a partir de 2018 me tornei coordenador do SEPURA (Laboratório de Separação Mineral e Alta Pureza) e do MGD (laboratório de Mapeamento Geológico Digital), além de ocupar o cargo de sub-coordenador do Programa de Pós-Graduação em Geologia da UFMG. Diretor do Comitê Técnico-Científico da Sociedade Brasileira de Geologia, Núcleo Minas Gerais desde 2014. Doutor em Geologia Regional pela UFMG (2013), efetuei pós-doutoramento na Ghent University, Ghent-Bélgica, sob orientação do Dr. Johan De Grave (2018). Fui pesquisador visitante da Technische Universität Bergakademie Freiberg no Institute für Mineralogie (2012). Sigo duas linhas de pesquisas, a primeira voltada à reconstrução da história geotectônica, abrangendo desde a gênese de antigas cadeias de montanhas até a formação geomorfológica atual. Embaso os estudos na aplicação de variadas metodologias, principalmente mapeamento geológico, geoquímica, geocronologia e termocronologia. A segunda linha de pesquisa é focada na implantação de Inteligência Artificial em variadas áreas da geociências, alicerçada em projetos multidisciplinares com parcerias institucionais, destaque para parceria com o Departamento de Ciências da Computação da UFMG. Trabalhei no mapeamento geológico de diversas regiões dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, totalizando aproximadamente 40 mil quilômetros quadrados de áreas mapeadas publicadas via projetos de extensão (parceria CPMTC-UFMG/CODEMIG e CPMTC-UFMG/CPRM). Anteriormente atuei como orientador de estágio supervisionado de mapeamento geológico do Centro de Geologia Eschwege, Diamantina - MG (2008-2012).

Marilia Carvalho de Melo, UFVV

Possui graduação em Engenharia civil pela Universidade Federal de Minas Gerais (2002), mestrado em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (2006) e doutorado em PEC - COPPE/UFRJ - Programa de Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2016). Atualmente é conselheira do conselho curador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, professora e coordenadora do mestrado da Universidade Vale do Rio Verde de Três Corações, professor da Escola de Engenharia Kennedy. É secretária de estado de meio ambiente e Desenvolvimento Sustentável e Foi diretora geral do Instituto Mineiro de Gestão das Águas. Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, atuando principalmente nos seguintes temas: gestão das águas, recursos hídricos, qualidade da água, monitoramento e segurança hídrica.

Felipe Andre Costa, UFMG

Hidrogeólogo com mais de onze anos de experiência em consultoria em hidrogeologia e áreas ambientais. Especializado em modelagem hidrogeológica conceitual e numérica, desenvolvimento de soluções digitais e análise de dados geoambientais. Atualmente cursando mestrado em Hidrogeologia, com foco em vulnerabilidade das águas subterrâneas utilizando Python e geoprocessamento. Habilidades em softwares como ArcGIS, AutoCAD, Feflow, Visual Modflow e Leapfrog, além de programação em Python, R e VBA. Busco contribuir para avanços na hidrogeologia e ciência de dados, promovendo soluções inovadoras e automatizadas.

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Publicado

2025-08-06

Como Citar

Andrade, I. B., Paula, R. S. de, Teixeira, G. M., Novo, T. A., Melo, M. C. de, & Costa, F. A. (2025). Investigação do Fluxo no Sistema Aquífero do Flanco Oeste do Sinclinal Moeda, Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais, Brasil. Revista Brasileira De Geografia Física, 18(05), 3350–3376. https://doi.org/10.26848/rbgf.v18.05.p3350-3376

Edição

Seção

Hidrogeografia e Recursos Hídricos

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