“A universidade não é tão legal quanto imaginávamos”: a formação de redes sociais por jovens indígenas universitários para se proteger de preconceitos raciais.
Abstract
O objetivo desse artigo é compreender as redes de relações sociais construídas por seis universitários indígenas Potiguara que estudam no campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) na cidade de João Pessoa, Paraíba. A circulação desses jovens pela região metropolitana ocasiona contatos interétnicos, muitas vezes, pré-estabelecidos em suas aldeias e com a oportunidade de estudar na UFPB essas interações são reativadas de forma estratégica para poder garantir, de certa forma, a sua permanência temporária no espaço urbano. Nesses fluxos constantes entre a aldeia e a cidade, esses jovens circulam de um espaço para outro, criando uma rede de solidariedade no intuito de se proteger contra preconceitos raciais existentes na universidade, além de poder reforçar seu sentimento de pertencimento étnico. A metodologia seguirá uma abordagem de estudo de caso detalhado com o objetivo de descrever dados etnográficos sobre esses jovens indígenas que vivem nesses espaços interseccionais.
Palavras-chave: Potiguara. Etnicidade. Preconceito racial. Redes sociais.
References
_____. 2015 [1954]. “Class and Communittes in Norwergian Island Parish” (1954). In: HANNERZ, Ulf. Explorando a cidade: em busca de uma antropologia urbana. Trad. Vera Joscelyne. Petropólis, RJ: Vozes, p. 179-180.
BARTH, F. 2003. “Temáticas permanentes e emergentes na análise da etnicidade”. In: Antropologia e etnicidade. Para além de “Ethinic Groups and Boundaries”. (org.) Vermeulen & Govers. Fim de século, Edições Lisboa, pp.19-44.
CARDOSO DE OLIVEIRA, Roberto. 1981. Introdução: a noção de fricção interétnica. In: O índio e o mundo dos brancos. Editora UNB, 1981, pp.15-30.
_______. 2000. Entre a escrita e a imagem. Diálogos com Roberto Cardoso de Oliveira. Revista de Antropologia, São Paulo, v. 43, n. 1.
______. 2006. Caminhos da identidade: ensaios sobre etnicidade e multiculturalismo. São Paulo: Edunesp, pp. 27-28.
CUNHA, Manuela Carneiro. 1987 [2009]. Etnicidade: da cultura residual mas irredutível. In: Cultura com Aspas e outros ensaios. São Paulo, Cosac Naif, pp.235-244.
ELIAS, Norbert. 2000. Os estabelecidos e os outsiders: sociologia das relações de poder a partir de uma pequena comunidade. Rio de Janeiro: Zahar..
ERIKSEN, T. H. 2010. Ethnicity and Nationalism. Third Edition. London, Pluto Press.
GOFFMAN, E. 1993. Estigma: la identidad deteriorada. 5. ed. Buenos Aires: Amorrortu Editores, p. 172.
HANNERZ, U. 1992. Cultural Complexity: Studies in the Social Organization of Meaning.
______. 1974. Ethinicity and Opportunity in Urban America. In: COHEN, A. (Org.) Urban Ethnicity. London: Tavistock Pub.
NINA RODRIGUES, R. 1938. "O Brasil antropológico e étnico" e " A população brasileira no ponto de vista da psicologia criminal – Os mestiços. In: As raças humanas e a responsabilidade penal no Brasil. São Paulo: Cia Ed Nacional.
NOGUEIRA, Oracy. Preconceito racial de marca e de origem. In: Tanto preto quanto branco: estudos de relações raciais. São Paulo, 1985.
OLIVEIRA, João Pacheco. Uma etnologia dos “índios misturados”? IN: OLIVEIRA, João Pacheco de (org.). A viagem da volta: etnicidade, política e reelaboração cultural no Nordeste indígena. Rio de Janeiro, Contra Capa, 2004.
______. O nosso governo: os Ticuna e o regime tutelar. São Paulo: Marco Zero, 1988.
______. O efeito “Túnel do Tempo” e a suposta inautenticidade dos índios atuais. Sociedade & Cultura, v. 6, n. 2, p. 167-175. Goiânia, jul.dez. 2003.
SCHWARCZ, L. M. 1993. O espetáculo das raças - Cientistas, instituições e questão racial no Brasil 1870-1930. São Paulo: Companhia das Letras.
VELHO, Gilberto. 1994. “Trajetória individual e Campo de possibilidades”. In: Projeto e metamorfose: Antropologia das sociedades complexas. Rio de Janeiro, Editora Jorge Zahar.
VELSEN, Van. 2010 [1967]. “A análise situacional e o método de estudo de caso detalhado”. In: FELDMAN-BIANCO, BELA (org.). ANTROPOLOGIA DAS SOCIEDADES CONTEMPORÂNEAS Métodos. São Paulo: UNESP, pp. 437-468.
Downloads
Published
Issue
Section
License
Direitos Autorais para textos publicados na Revista de Estudos e Investigações Antropológicas são do autor, com direitos de primeira publicação para a revista. No caso de submissão paralela a outro periódico, o texto em questão será excluído imediatamente do processo de avaliação e não será publicado na Revista de Estudos e Investigações Antropológicas.